Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Maracanã tem risco real de não ficar pronto dentro do prazo

O Rio quer montar força-tarefa para concluir obras no estádio até o fim de abril

Por Da Redação - 1 fev 2013, 08h46

O receio de que o prazo para o término das intervenções não seja suficiente é tamanho que as empresas que compõem o consórcio estão remanejando operários de outras obras em uma tentativa de acelerar ao máximo os serviços

O Maracanã corre sério risco de não ficar completamente pronto para a Copa das Confederações de 2013, que começa em 15 de junho. Entre os responsáveis pelas obras de adequação do estádio, há o temor de que a reforma não esteja 100% finalizada até o fim de abril, o “limite do limite” estabelecido pela Fifa no fim de 2012. Os engenheiros do consórcio responsável pela reforma, formado pelas construtoras Odebrecht e Andrade Gutierrez, já admitem internamente a possibilidade de que os trabalhos terão de ser interrompidos para a disputa da Copa das Confederações. Terminado o torneio – considerado o grande teste do país para o Mundial do ano que vem -, os trabalhos seriam retomados. Ou seja: no ensaio geral, para a Copa, o principal estádio, palco da grande final, pode estar incompleto. O primeiro jogo da Copa das Confederações no Maracanã está marcado para 16 de junho, entre México e Itália. A Fifa assume a gestão do estádio em 24 de maio.

Leia também:

Leia também: A 500 dias da Copa, o Maracanã é um segredo

Publicidade

O receio de que o prazo para o término das intervenções não seja suficiente é tamanho que as empresas que compõem o consórcio estão remanejando operários de outras obras em uma tentativa de acelerar ao máximo os serviços. De acordo com informações obtidas pelo Estadão Conteúdo, funcionários que trabalham na construção da linha quatro do metrô, que vai ligar a Zona Sul do Rio à Barra da Tijuca – parte do projeto carioca para os Jogos Olímpicos de 2016 -, começam a ser deslocados para o Maracanã (a concessionária das obras nega). Ainda assim, a Secretaria de Estado de Obras, o Consórcio Maracanã 2014 e a Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio (Emop) mantém o mesmo discurso: por meio de suas assessorias, garantem que o Maracanã será repassado à Fifa com 100% de conclusão, incluindo as intervenções intramuros, cuja licitação foi vencida também pela Odebrecht, na semana passada. A Emop disse, porém, que não vai mais divulgar parciais de conclusão (a última indicava 80% ao fim de dezembro). Disse ainda que não iria se manifestar “sobre suposições e hipóteses”.

Leia também:

A hora de decidir os próximos 35 anos do gigante Maracanã

Clubes são barrados na licitação para administrar o estádio

Publicidade

Galeria de fotos: Composições em 360 graus do estádio antes da reforma

Novo Maracanã deverá ter vidro para separar torcidas rivais

Galeria de fotos: Momentos marcantes do estádio, palco da Copa de 1950

O novo Maracanã começa a ganhar forma para 2013 e 2014

Publicidade

“As obras vão terminar em abril e em 24 de abril haverá o primeiro evento-teste”, informa o órgão público. Anteriormente, porém, quando apresentada a possibilidade de que o ritmo atual de trabalho seria insuficiente para a finalização total da obra, a Emop disse apenas que o Maracanã seria entregue “em condições” de receber os jogos da Copa das Confederações. “O importante é que vamos entregar o estádio para a Fifa”, dizia a empresa. Desde o início da reforma, no segundo semestre de 2010, o Maracanã sofre com sucessivos atrasos no cronograma. Naquela ocasião, prometia-se a reformulada arena para dezembro de 2012, prazo inicial estipulado pela Fifa. Em março de 2011, contudo, o consórcio informou que toda a marquise do Maracanã e sua estrutura estavam seriamente comprometidas, o que exigiria uma adaptação do projeto inicial para a nova cobertura. Tal obstáculo, além de atrasar consideravelmente o cronograma, elevou o orçamento estipulado em 704 milhões de reais para quase 1 bilhão (revisado, após análise do TCU, para cerca de 860 milhões).

Acompanhe VEJA Esportes no Facebook

Siga VEJA Esportes no Twitter

Com o problema, o novo prazo de entrega foi marcado para fevereiro de 2013. Em maio de 2012, o presidente da Emop, o engenheiro Ícaro Moreno, disse que o limite era “apertado” e seria necessário “correr muito”, mas reafirmava que as chaves seriam entregues no último dia deste mês. Moreno também estipulava que o levantamento da estrutura que dará sustentação à nova cobertura seria feito em outubro. Esse estágio está sendo finalizado só agora. A instalação da lona que protegerá 76.000 dos 79.000 assentos ainda não começou. Deveria estar concluída em novembro, ainda segundo a estimativa de Moreno. Na última quarta, em visita ao Rio, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, disse estar “confiante de que todos os estádios serão entregues até abril”. O presidente do Comitê Organizador Local (COL), José Maria Marin, afirmou: “A informação que nós temos é que os prazos serão cumpridos. Já agendamos o jogo com a Inglaterra no dia 2 de junho. Não iríamos correr o risco de chamar a Inglaterra e o Maracanã não estar pronto”.

Publicidade

(Com Estadão Conteúdo)

Publicidade