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Mais um jogo muito estranho

Por Sérgio Rodrigues - 12 jul 2014, 09h38

Este sábado tem sabor de telenovela esticada além da conta, de posfácio enfadonho para um romance eletrizante de fim trágico

Que jogo estranho, este de hoje em Brasília! Louis van Gaal, o técnico da Holanda, declarou com todas as letras que não gostaria de disputá-lo, o que é compreensível: um terceiro lugar em Copa do Mundo, pelo menos para seleções de ponta, não significa nada. Quanto ao Brasil, não tenho dúvida de que seria melhor ter encerrado o Mundial com um pano rápido na terça-feira, para ir cuidar das feridas longe dos olhos do público. Este sábado tem sabor de telenovela esticada além da conta, de posfácio enfadonho para um romance eletrizante de fim trágico.

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Embora a partida que define o terceiro colocado da Copa seja sempre meio tristonha, eu me lembro de ter torcido fervorosamente pelo Brasil em 1978, contra a Itália. Vencemos o jogo, de virada, por 2 a 1 – com um fabuloso gol de Nelinho, o maior chutador da história do futebol, pondo na bola uma curva de Niemeyer. Só por esse lance o jogo já teria valido a pena, o que contraria o juízo mal-humorado do técnico holandês. Ocorre que aquele terceiro lugar serviu também para reforçar uma tirada famosa de nosso treinador Claudio Coutinho: a de que o Brasil saiu do Mundial da Argentina como “campeão moral”.

Hoje, estamos muito longe disso. Foi tão monumental a hecatombe da semifinal que não seria surpresa se alguém inventasse, na contramão de Coutinho, que a seleção brasileira foi a “eliminada moral” nas oitavas do Mundial do Brasil. Seria maldade, claro, mas o fato é que uma vitória sobre os holandeses, numa partida que nada vale, dificilmente terá qualquer sentido para o torcedor – o que é uma gota de alegria num oceano de pesar? Já nossa comissão técnica, que nos últimos dias apresenta sintomas de paralisia cerebral, pode usá-la para justificar a tese destrambelhada de que o trabalho realizado foi “perfeito” e o nefasto 8 de julho, nada além de um acidente sem explicação.

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Uma nova derrota, esta sim, tem tudo para agravar o sangramento, como aqueles golpes que os pugilistas gostam de acertar no supercílio aberto do adversário. Isso pode ter valor didático para Felipão e Parreira, que não compreenderam ainda o tamanho do estrago, mas os brasileiros não merecem sofrer mais. E se nosso time for cumulado de insultos vingativos por uma torcida que se sente humilhada? Seria compreensível, mas cruel com os jogadores, que carregarão o estigma da goleada alemã por anos a fio e que, no fim das contas, despreparados e obrigados a vencer na base da pura entrega emocional, são os menores responsáveis pelo arranhão feio imposto ao prestígio do nosso futebol.

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Se verei o jogo? É claro que sim, mas apreensivo e reticente, sem saber direito por qual desfecho torcer. Que sinuca!

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