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Mais um capítulo de Najila e Neymar: um escândalo longe do fim

Ela cogitou pedir indenização ao jogador pela divulgação de suas fotos íntimas no Instagram e tenta reverter o arquivamento do caso de estupro

Por João Batista Jr. - Atualizado em 22 mar 2020, 15h06 - Publicado em 20 mar 2020, 06h00

A modelo Najila Trindade, de 27 anos, virou assunto nacional em junho de 2019 ao lavrar um boletim de ocorrência de agressão e estupro por parte de Neymar em uma tórrida noite de amor em Paris. Agora, ela anda às voltas com novas encrencas. Recentemente, movimentou-se para tentar um acordo de indenização pelo fato de o craque ter divulgado suas imagens quentes da fase de paquera virtual, antes do embarque para a França. Para seguir a tradição de um escândalo que começou enrolado, um termo de confidencialidade no qual Najila autorizava um advogado a negociar isso com Neymar simplesmente sumiu. Em 20 de janeiro o escritório do advogado Leonardo Ferreira Damasceno da Silva foi invadido, em Santos. Os bandidos levaram dinheiro em espécie, um cofre e documentos. Entre eles, coincidência ou não, o papel referente ao caso Neymar.

Embora não tenha sido sequer indiciado na acusação de estupro por falta de provas, o craque pode se dar mal em outro inquérito aberto sobre o mesmo escândalo. Trata-se do processo que o Ministério Público do Rio de Janeiro move contra o jogador por divulgação de imagens íntimas de Najila. Nesse caso, o que não falta são provas. O delegado Pablo Dacosta Sartori, da Delegacia de Repressão de Crimes de Informática do Rio de Janeiro, enviou em outubro passado ao MP um relatório sobre o inquérito para averiguar se Neymar cometera crime ao divulgar imagens de Najila nua em sua conta no Instagram quando quis se defender da acusação de estupro e agressão feita pela modelo e arquivada pela Justiça. Ele é investigado por revenge porn, quando, por raiva ou vingança, a pessoa expõe conteúdo pornográfico de alguém. Em depoimento, o craque tentou driblar sua responsabilidade ao atribuir a assessores a publicação. Disse não ter visto o material na íntegra quando o divulgou. A expectativa é quanto à decisão do MP: indiciar Neymar ou arquivar o caso? A existência do documento surrupiado do cofre de Santos pode indicar a intenção de encerrar a discussão com um acordo financeiro. O advogado Damasceno da Silva confirma o furto, mas não entra em detalhes sobre o conteúdo. “Estive três vezes com a Najila para tratar do assunto, e fizemos esse contrato de intenção de trabalhar juntos” afirma. Ele não revela o valor que seria pedido.

A tentativa de levar à frente o pedido de indenização iniciaria uma batalha com chance incerta de vitória. Em inúmeras ocasiões, a defesa do jogador já disse que esse tipo de acerto está fora de cogitação. O próprio Damasceno da Silva relata que, depois das primeiras conversas sobre o assunto, o interesse de sua cliente em partir para essa briga havia esfriado. “Nossa parceria não foi para a frente”, reconhece o advogado. Ele procurava representar Najila apenas na questão do pedido de indenização — aparentemente, à revelia de Cosme Araújo, advogado da modelo (detalhe: ele é o quarto representante legal dela em menos de um ano, sem contar Damasceno da Silva).

Para Araújo, buscar um acordo financeiro jamais foi uma opção para sua cliente. “Nunca soube da ideia de obter acordo”, diz. “Ele tem de pagar pelo crime de ter publicado material íntimo de uma mulher sem seu consentimento”, completa. Araújo prepara-se para acionar a procuradoria com o objetivo de pedir uma explicação sobre a demora do processo movido pelo MP do Rio contra o craque. “Há a sensação de esse jogador ser intocável”, afirma. Enquanto nutre esperança de vitória na questão das fotos íntimas, Najila ainda não desistiu de provar a tese de estupro. Em 18 de dezembro, sua defesa entrou com um mandado de segurança pedindo a reabertura do caso. O principal argumento da peça é que a polícia não esperou a chegada de imagens de câmeras de segurança do hotel parisiense, que poderiam mostrar Neymar entrando em estado alterado na suíte por ele reservada.

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Em São Paulo, Najila trabalhou em uma casa de massagens de luxo e, depois do estouro do escândalo com Neymar, saiu da cidade sem pagar o aluguel de seu antigo apartamento, deixando para trás uma dívida de 40 000 reais. Enquanto o terremoto jurídico está longe do fim, ela vive dramas de ordem pessoal. A modelo e seu filho de 7 anos moram em um apartamento em Ilhéus, na Bahia. O imóvel foi alugado pelo pai de Najila, um sargento aposentado. Segundo o advogado, sua cliente toma antidepressivos e sofre de síndrome do pânico. “A clausura é resultado do massacre feito pela mídia e pela sociedade”, diz Araújo. No ano passado, Najila voltou ao noticiário quando se envolveu em uma briga com um homem casado com quem mantinha um relacionamento. De acordo com o advogado, a modelo não trabalha e vive da ajuda de familiares. A frustrada lua de mel em Paris provocou um terremoto em sua vida e ainda pode render mais dores de cabeça a Neymar.

Publicado em VEJA de 25 de março de 2020, edição nº 2679

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