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Maior ‘quebra-pau’ da história da NBA completa 15 anos

Partida entre Indiana Pacers e Detroit Pistons, em 2004, terminou antes do cronômetro zerar e com cenas chocantes

A partida entre Detroit Pistons e Indiana Pacers, nos arredores da Cidade do Motor, no estado americano de Michigan, no dia 19 de novembro de 2004, marcou época na NBA, não por grandes lances ou pela presença de jogadores fora de série, mas, sim, por uma briga generalizada que mudou a forma como a principal liga de basquete do planeta encara episódios de violência. O “quebra-pau” ficou conhecido como “Malice at the Palace” (Malícia no Palácio, em tradução livre do inglês), uma referência ao nome do ginásio dos Pistons, o Palace, e ao título de um filme de 1949 estrelado pelo grupo americano de comédia Os Três Patetas.

O clima era de rivalidade desde antes do início do jogo, pois os times se enfrentaram na final da Conferência Leste do ano anterior, vencida pelos Pistons por 4 a 2. Os Pacers, porém, lideraram o jogo inteiro com folgas e já estavam com a vitória assegurada nos minutos finais, até que o ala Ron Artest, do time visitante, fez falta dura no pivô Ben Wallace, que imediatamente partiu para cima do adversário.

Embora não sejam algo fora do comum na NBA, discussões e empurrões quase sempre são controlados rapidamente por outros jogadores ou membros da comissão técnica das equipes. Os atletas do Detroit cumpriram seu papel e tiraram Wallace da confusão. Artest, por outro lado, decidiu jogar gasolina na fogueira ao deitar-se em cima de uma bancada a beira da quadra. Enfurecido, um torcedor dos Pistons arremessou uma lata de refrigerante na direção do ala dos Pacers. O que se viu a partir de então foram as já famosas “cenas lamentáveis” de trocas de sopapos entre jogadores de Indiana e fãs do time de Detroit (assista ao vídeo abaixo):

A confusão aumentou quando o ala Stephen Jackson foi atrás de Artest e disparou um soco em outro torcedor. A confusão rapidamente se tornou-se generalizada, envolvendo vários jogadores dos Pacers e torcedores da equipe rival incluindo David Wallace, irmão do pivô Ben. Novamente em quadra, Artest e o pivô Jermaine O’Neal agrediram outros dois fãs do Detroit. Só haviam três policiais e alguns membros da segurança do ginásio no local, que não conseguiram restabelecer a ordem mesmo depois de 10 minutos de briga. A situação só se acalmou depois que a delegação de Indiana foi escoltada às pressas para o vestiário, debaixo de uma saraivada de copos, garrafas e até uma cadeira.

Ron Artest, do Indiana Pacers, lutando com um torcedor do Detroit Pistons em 2004

Ron Artest, do Indiana Pacers, lutando com um torcedor do Detroit Pistons em 2004 (Duane Burleson/AP)

A confusão foi parar na justiça americana, e cinco jogadores do Indiana foram condenados por agressão e tiveram que cumprir um ano de liberdade condicional, além de prestarem serviços comunitários. A NBA também fez questão de punir severamente os jogadores envolvidos na briga. As penas mais severas foram para Ron Artest (que recentemente mudou seu nome para Metta World-Peace – sim, seu sobrenome tornou-se Paz Mundial): um gancho de 86 jogos, além da perda de 5 milhões de dólares de salários e Stephen Jackson, suspenso por 30 jogos e 1,7 milhão de dólares em multa.

A confusão no Palace mudou padrões na NBA – Depois da briga em Detroit, a NBA intensificou as mudanças e inclusões de regras de segurança. Para preservar sua reputação, a liga criou um código de conduta para torcedores e incluiu mais normas no código de conduta de jogadores. Além disso, propuseram o aumento de policiais em dias de jogos e a limitação na venda de bebidas alcoólicas nos ginásios.