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Máfia dos ingressos: advogado delata integrante da Fifa

Delegado afirma que a empresa Match, única autorizada pela Fifa para venda de pacotes de ingressos e camarotes, também está sob investigação

(Atualizado às 17h11)

O advogado José Massih, braço direito do franco-argelino Lamine Fofana no Brasil, disse à polícia o primeiro nome do membro da Fifa que seria o líder da grandiosa quadrilha de venda ilegal de ingressos da Copa do Mundo que, só no Mundial do Brasil, pretendia lucrar 200 milhões de reais. Segundo o delegado responsável pela investigação, Fábio Barucke, da 18ª DP (Praça da Bandeira), o advogado, preso em São Paulo na operação Jules Rimet e transferido nesta quarta-feira para o Rio, quer sua liberdade (por meio da delação premiada) para revelar mais detalhes do líder da quadrilha.

O delegado confirmou também que a Match, única empresa autorizada pela Fifa para venda de pacotes de ingressos e camarotes, está sob investigação. Há, além do membro da Fifa, também um integrante da Match no esquema, de acordo com Barucke.

A Match é subsidiária da empresa Infront, que tem como um dos principais acionistas Phillip Blatter, sobrinho do cartola. Na semana passada, a reportagem da agência Estadão Conteúdo presenciou um café da manhã entre o tio e o sobrinho à beira da piscina do Copacabana Palace, a sede da Fifa no Brasil.

A polícia já sabia que havia alguém acima de Lamine Fofana na quadrilha: um integrante da Fifa, homem. Barucke, que não quis revelar o nome informado pelo braço direito de Fofana, afirmou, em coletiva de imprensa, que o integrante da Fifa é estrangeiro (ainda não se sabe a nacionalidade) e está ou estava hospedado no hotel Copacabana Palace, onde está reunida toda a cúpula da Fifa, como o presidente da entidade, Joseph Blatter.

Blatter reagiu de forma enfática, nesta quitna-feira, a ser questionado sobre o escândalo dos ingressos: “Eu não sei de nada”, disse, sobre o envolvimetno de funcionários da própria Fifa e da Match, a empresa que tem como um de seus sócios o sobrinho de Blatter Phillip Blatter. “Eu não sei de nada disso. Eu não me ocupo de ingressos”, declarou, colocando as mãos abertas para cima e dando um passo para trás. “Eu lido com política”, declarou.

Blatter, nos bastidores, passou a exigir que o caso seja resolvido o mais rapidamente possível. Mas a versão oficial é de que o caso não passa por enquanto de “rumores”. “Não temos nada a comentar por enquanto. Existem muitos rumores circulando. Vamos esperar uma reunião com a polícia para termos detalhes da operação”, disse a porta-voz da Fifa, Delia Fischer.

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O delegado informou que vai passar à Fifa as informações colhidas no depoimento de Massih para que a entidade possa ajudar na identificação do chefe do esquema. “O inquérito vinha de forma sigilosa. A partir de agora, que deflagramos a operação, vamos pedir ajuda à Fifa para que possam entender a investigação e nos ajudar. E também, de alguma forma, rever essa distribuição de ingressos”, afirmou o titular da 18ª DP.

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Ex-jogadores – A Polícia Civil estuda a intimação de ex-atletas e empresários do futebol para depor sobre a rede internacional de cambistas descoberta esta semana, com envolvimento de pessoas próximas da Fifa. De acordo com reportagem publicada no jornal ‘Folha de S. Paulo’ nesta quinta-feira, entre os nomes cogitados para prestar depoimento estão Dunga e Júnior Baiano. O jornal também informou que a polícia investiga se há ligação do grupo com o pai de Neymar, que também atua como empresário do jogador. A assessoria de Neymar negou ao jornal que o pai do atleta conheça Fofana.

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(Com Estadão Conteúdo)