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Lisboa: na cidade da final, invasão espanhola e muito lucro

Capital de Portugal espera cerca de 70.000 visitantes a partir desta quinta por causa do duelo Real x Atlético. Agenda está cheia – e os preços estão no teto

Por Giancarlo Lepiani, de Lisboa - 22 Maio 2014, 17h25

Nos últimos dias, as pouquíssimas camas de hotel ainda disponíveis na cidade tinham diárias de pelo menos 900 euros, chegando até os 7.000 euros por noite. Só a Iberia, principal companhia aérea espanhola, programou mais 22 voos na rota entre as duas capitais a partir desta quinta

Com 547.000 habitantes, Lisboa tem uma população quase idêntica à de Cuiabá, com 542.000, a menor das doze cidades-sede da Copa de 2014. Mas enquanto a cidade mato-grossense corre para aprontar seu novo estádio e finalizar as obras ligadas à realização do Mundial, no mês que vem, a capital de Portugal está pronta para receber sem sobressaltos cerca de 70.000 visitantes até sábado, quando acontece a final da Liga dos Campeões, entre Real Madrid e Atlético de Madri, no Estádio da Luz. A cidade espera lucrar alto com o evento: calcula-se que a decisão movimentará cerca de 46 milhões de euros (138 milhões de reais) na economia de Lisboa. Quando são somados fatores como os direitos de transmissão pela TV, publicidade, consumo de produtos oficiais e venda de ingressos, o impacto econômico da final dentro e fora de Portugal chega aos 409 milhões de euros, mais de 1,2 bilhão de reais. Os números foram divulgados pelo Instituto Português de Administração de Marketing (Ipam), que calcula ainda que a despesa média de cada torcedor que visitará Lisboa para a final será de nada menos de 1.000 euros por dia.

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É fácil entender o porquê desse valor tão elevado quando se pesquisa o preço da diária cobrada pelos hotéis da cidade – que tem cerca de 22.000 leitos – nas noites de sexta e sábado. Nos últimos dias, as pouquíssimas camas ainda disponíveis tinham diárias de pelo menos 900 euros, chegando até os 7.000 euros por noite. Muitos torcedores optaram por alugar apartamentos através de agências locais, uma solução mais barata. Incluindo todos os tipos de hospedagem, o montante gasto pelos visitantes corresponde à metade do lucro final da cidade com a festa. Restaurantes, bares, lojas, transporte e outros serviços correspondem ao resto do faturamento dos portugueses com a realização da partida que encerra a temporada do futebol europeu. Não estão incluídos no estudo do instituto os gastos com o deslocamento até Lisboa – e também nesse quesito os torcedores tiveram de encarar um mercado inflacionado. O preço das passagens de avião para o curtíssimo trajeto entre Madri e Lisboa disparou, mesmo com um reforço no número de voos.

Só a Iberia, principal companhia aérea espanhola, programou mais 22 voos na rota entre as duas capitais a partir desta quinta. São 12.000 assentos a mais do que a oferta normal – incluindo, aliás, os quatro voos charter que levarão o Real Madrid do português Cristiano Ronaldo, revelado no Sporting, um dos clubes da cidade, ao palco da decisão. A empresa também usará aviões maiores na rota – e, como quase todos os voos com destino a Lisboa retornariam praticamente vazios a Madri, a empresa espanhola resolveu oferecer tarifas promocionais, a partir de 50 euros, aos portugueses que quiserem escapar da agitação causada pela partida na capital. Quem percorrer o caminho inverso, indo para o jogo, pagará cerca de 300 euros. Os trens (com bilhetes a 60 euros, para uma viagem que dura mais de dez horas) e ônibus (de 45 a 55 euros, com seis a sete horas de percurso) também estão cheios no caminho entre as duas capitais ibéricas. E quem chega à cidade, seja por terra ou pelo ar, logo percebe que Lisboa já entrou no clima da decisão, com grupos de torcedores exibindo as cores de seus clubes e prédios públicos decorados com os grafismos da partida, que faz referência aos navegadores portugueses e ao período dos descobrimentos.

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Museu e pelada – A capital portuguesa, que concorreu a sede da decisão europeia para marcar o centenário de fundação de sua federação nacional de futebol, terá vários outras atrações para quem chegou sem uma entrada para o jogo (estima-se que metade da torcida espanhola que viajará a Lisboa não tem ingresso, já que Real e Atlético ficaram com apenas 34.000 dos 61.000 bilhetes para o jogo). Além de perambular por Lisboa em busca de um cambista com entradas para revender, restará a esses fanáticos mergulhar na história da competição favorita dos grandes clubes europeus. No edifício dos Paços do Concelho, sede da Câmara Municipal, a Uefa montou uma exibição com mais de 150 fotos marcantes dos quase 60 anos do torneio. Do outro lado da Rua do Arsenal, no Pátio da Galé, foi montado o “Museu dos Campeões”, com objetos raros que contam algumas das histórias mais famosas da Liga. Está lá, por exemplo, a bola com que Zinedine Zidane marcou seu célebre gol de voleio na decisão de 2002, a última vencida pelo Real, em Glasgow. Hoje, o ex-craque francês é o auxiliar da equipe branca de Madri na tentativa de levantar a taça orelhuda pela décima vez na história do clube, o recordista em número de conquistas.

A chuteira e a camisa de Lionel Messi na final de 2009, em Roma, e o uniforme de Ronaldinho Gaúcho na decisão de 2006, em Paris, também estão na mostra, além de um objeto que deverá despertar uma emoção especial entre os torcedores locais: a camisa usada por Eusébio, o maior ícone do futebol português, morto em janeiro, na final entre Benfica e Milan, em 1963. O maior tesouro da Liga dos Campeões, porém, está exposto desde esta quinta-feira na Praça do Comércio, um dos pontos mais famosos de Lisboa, às margens do Rio Tejo. É ali, no chamado “Festival dos Campeões”, que os torcedores podem posar para fotos ao lado da taça. No mesmo local, a Uefa promove, na sexta-feira, uma pelada com ex-craques convidados a acompanhar a final de perto. A brincadeira, que já é virou tradição nos dias que antecedem a decisão europeia, terá nomes como Cafu, Luís Figo, Rui Costa e Deco (num time formado por ídolos veteranos de Brasil e Portugal) contra uma equipe recheada de ex-jogadores do Real, como Hierro, Mijatovic, Suker, Seedorf e Fabio Cannavaro. Antes disso, nesta quinta, a Uefa também promoveria a final da Liga dos Campeões feminina, no Estádio do Restelo, do Belenenses, logo atrás do belíssimo Mosteiro dos Jerónimos. Para essa decisão, entre Tyresö, da Suécia, o time da craque brasileira Marta, e o Wolfsburg, da Alemanha, ainda havia ingressos disponíveis na manhã da partida – e por módicos 10 euros.

https://youtube.com/watch?v=9MGu5sPHEJI%3Frel%3D0

2013: Bayern

Depois de perder duas decisões em três anos – uma delas, em seu próprio estádio -, o Bayern não deixou passar a terceira oportunidade de levantar a taça. Em um clássico alemão, a equipe de Munique derrotou o Borussia por 2 a 1 no Estádio de Wembley.

2012: Chelsea

A equipe londrina surpreendeu e conquistou seu primeiro título contra o Bayern de Munique, na casa do adversário, a Allianz Arena. Didier Drogba foi o grande destaque da final, que foi decidida nos pênaltis depois de empate por 1 a 1 no tempo normal.

2011: Barcelona

Com Messi inspirado e com Pep Guardiola como técnico, o Barça foi campeão no Estádio de Wembley, em Londres, fazendo 3 a 1 no Manchester United. O jogo é considerado uma das melhores da fase de ouro da equipe catalã sob o comando de Guardiola.

2010: Internazionale

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O argentino Milito foi o destaque na vitória da equipe italiana sobre o Bayern, no Estádio Santiago Bernabéu, em Madri – fez os dois gols na vitória por 2 a 0 e deu à Inter de Milão um título que não conquistava desde a década de 1960. Mourinho era o técnico.

2009: Barcelona

Eto’o e Messi marcaram os gols da vitória catalã no Estádio Olímpico de Roma, contra o Manchester United de sir Alex Ferguson e da dupla de ataque formada por Rooney e Cristiano Ronaldo. Foi o terceiro título do torneio continental para o Barça.

2008: Manchester United

Na final entre os ingleses, a equipe de Alex Ferguson levou a melhor sobre o Chelsea, no Estádio Luzhniki, em Moscou. No tempo normal, Cristiano Ronaldo abriu o placar e Lampard empatou. Na cobrança de pênaltis, Anelka perdeu e o United comemorou.

https://youtube.com/watch?v=e5iNzdPlAj4

2007: Milan

Com grandes atuações de Kaká e Inzaghi, a equipe italiana se vingou da derrota para o Liverpool na final de 2005. A decisão disputada no Estádio Olímpico de Atenas foi totalmente dominada pelo Milan, que conquistou seu sétimo título da Liga dos Campeões.

2006: Barcelona

Com Ronaldinho Gaúcho em grande fase, o Barça era favorito contra o Arsenal no Stade de France, em Paris. Os ingleses saíram na frente com Campbell, mas os catalães viraram com gols de Eto’o e do brasileiro Belletti. Foi o bicampeonato do Barcelona.

2005: Liverpool

Uma das maiores surpresas da história do torneio – não pela vitória da equipe inglesa, clube tradicional na competição, mas sim pela recuperação histórica. O Milan vencia por 3 a 0 no intervalo em Istambul. O Liverpool buscou o empate e venceu nos pênaltis.

2004: Porto

Carlos Alberto e Deco estavam entre os destaques da jovem equipe do Porto treinada por um então desconhecido, José Mourinho. Do outro lado estava outra zebra, o Monaco. A final, disputada em Gelsenkirchen, terminou com vitória dos portugueses, 3 a 0.

https://youtube.com/watch?v=9y7zKOKJGzk

2003: Milan

A final entre dois italianos no estádio Old Trafford, em Manchester, foi marcada pelo enorme equilíbrio. Milan e Juventus ficaram no 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação. Na disputa por pênaltis, Dida defendeu três cobranças e Shevchenko selou a vitória do Milan.

https://youtube.com/watch?v=OLh6lGlXC3A%3Frel%3D0

2000: Real Madrid x Valencia

https://youtube.com/watch?v=jjYPOj2hros%3Frel%3D0

2003: Milan x Juventus

https://youtube.com/watch?v=jGJ62A2_CTQ%3Frel%3D0

2008: Manchester United x Chelsea

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