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‘Linsanidade’: o nerd que virou astro da NBA

O jogador Jeremy Lin, que, até duas semanas atrás, apenas esquentava o banco de reservas, agora leva os fãs do basquete à loucura, especialmente os do New York Knicks, tomados pelo fenômeno batizado de “Linsanidade”, com direito a uma capa da revista “Sports Illustrated’, após a concretização de um conto da fadas na NBA.

Jeremy Shu-How Lin, de 23 anos, é americano, nascido em Los Angeles, na Califórnia, de pais taiwaneses que migraram para os Estados Unidos.

Outra característica da sua trajetória inusitada é o fato de Lin ser formado em Economia em Harvard, considerada uma das melhores universidades do mundo, enquanto a maioria dos jogadores profissionais de basquete é beneficiada com bolsas de outras faculdades, mais famosas pelos seus resultados nos esportes.

Ele é o primeiro de Harvard a jogar na NBA desde a temporada 1953-1954. Lin não foi selecionado no draft do ano passado, passou pelo Golden State Warriors e pelo Houston Rockets, equipes nas quais foi muito pouco utilizado, antes de ser incorporado ao elenco do time de Nova York no fim de 2011.

A vida do armador começou a mudar no dia 2 de fevereiro, em uma partida contra o New Jersey Nets, quando o técnico do Knicks, Mike D’Antoni, o colocou em quadra. Lin aproveitou e fez 25 pontos, além de ter terminado a partida com sete assistências.

A primeira chance como titular veio dois dias depois e então teve início a ‘Linsanidade’, que incluiu a expressiva marca de 38 pontos na vitória de 92-85 do New York Knicks sobre o Los Angeles Lakers na sexta-feira passada.

O jogador não para de provocar espanto no técnico e nos companheiros de time no New York Knicks, enquanto os torcedores são só elogios ao armador de 23 anos.

Desde que Lin entrou no time foram sete vitórias seguidas dos Knicks, com direito a uma cesta de três pontos decisiva no segundo final na terça-feira contra o Toronto Raptors (90-87), além de 10 pontos – a primeira partida em que ficou abaixo de 20 pontos – e 13 assistências no triunfo de 100-83 sobre o Sacramento Kings na quarta-feira. A equipe agora tem a campanha de 15 vitórias e 15 derrotas.

“Apenas de observá-lo você fica admirado”, afirmou o técnico dos Knicks, Mike D’Antoni.

Com as ausências das estrelas Amare Stoudemire – em consequência da morte do irmão em um acidente de carro – e Carmelo Anthony, lesionado, D’Antoni recorreu a Lin em uma medida de emergência e desespero. A resposta não poderia ter sido melhor.

“Ele é maior história do esporte atualmente”, afirmou o companheiro de time Jared Jeffries.

“Ele estava a cinco ou seis dias de ser cortado e agora é o catalisador de um time que está jogando tão bem quanto qualquer outro na NBA”.

Os Knicks teriam que pagar Lin o salário de uma temporada completa ou liberá-lo em alguns dias. Agora o time tem o primeiro jogador a aparecer na capa de Sports Illustrated desde 1999.

Lin teve os melhores números nos cinco primeiros jogos como titular na NBA moderna, com médias de 23,3 pontos e 7,4 assistências, superando lendas como Michael Jordan, Kobe Bryant, LeBron James e Shaquille O’Neal.

Lin também virou um fenômeno de vendas para a NBA. O valor da ação dos Knicks subiu e o uniforme de Lin vende assim que chega nas lojas.

A audiência das partidas dos Knicks disparou, especialmente na internet e na Ásia. Os preços dos ingressos para os jogos da equipe também registraram um forte aumento.

A popularidade dele na Ásia também explodiu e ele é o jogador mais admirado no continente desde a aposentadoria do chinês Yao Ming, que jogou no Houston Rockets.

Até o presidente americano Barack Obama se rendeu ao talento de Lin.

Um porta-voz da Casa Branca revelou na quarta-feira que Obama estava “muito impressionado” com a trajetória meteórica do armador.

“É uma linda história e o presidente Obama está muito impressionado. Ele acompanha de perto o desempenho surpreendente de Lin”, declarou o porta-voz Jay Carney.