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Lewis Hamilton, piloto de Fórmula 1, diz que foi ‘silenciado pelo racismo’

Responsável por encabeçar o protesto antes do início da temporada 2020, o hexacampeão mundial lamenta não ter agido antes pela causa

Por Da Redação Atualizado em 6 jul 2020, 16h28 - Publicado em 6 jul 2020, 14h45

Lewis Hamilton se tornou uma das principais vozes ativas contra o racismo nos últimos meses. O piloto se arrepende de não ter se posicionado sobre o tema antes. O inglês, líder da iniciativa que protestou pela causa antes do início da temporada da Fórmula 1 no último domingo, 5, afirmou que foi “silenciado” em tentativas anteriores de se levantar sobre o problema.

A necessidade de se posicionar começou após os protestos do ex-jogador da NFL Colin Kaepernick. Em 2016, o então quarterback do San Francisco 49ers passou a se ajoelhar durante a execução do hino nacional dos Estados Unidos antes das partidas, em forma de manifestação contra o comportamento racista do país. O gesto foi visto como uma ofensa pelo na época candidato à presidência Donald Trump e pelos donos das franquias da liga e Kaepernick nunca mais jogou futebol americano profissionalmente.

“Ele perdeu o emprego e não o teve de volta. Falei com ele pouco depois disso e usei um capacete vermelho (a cor do 49ers) com o número que ele utilizava. Mas depois disso, eu fui silenciado. Me disseram para não continuar, não apoia-lo, senão eu iria me arrepender”, afirmou Hamilton sem dizer quem foram as pessoas deram tal “conselho”.

O inglês decidiu que não seria mais silenciado. Antes do Grande Prêmio da Áustria, o primeiro da nova e curta temporada da F1, os 20 pilotos do grid se concentraram na frente dos caras vestindo camisetas pedindo o fim do racismo – Hamilton foi o único a vestir uma peça com a frase “vidas negras importam”. O gesto de se ajoelhar, entretanto, não foi repetido por todos. Max Verstappen, Antonio Giovinazzi, Carlos Sainz, Charles Leclerc, Kimi Raikkonen e Daniil Kvyat decidiram ficar de pé.

“Ninguém deve ser forçado a ajoelhar. Eu nunca requisitei ou obriguei que ninguém fizesse isso. Quando passamos o briefing da ação para os pilotos, Vettel e Grosjean disseram categoricamente que não fariam isso. Eu disse para eles fazerem o que eles sentissem que é o certo. Agradeço a todos que se ajoelharam comigo”, contou Hamilton. Vettel e Grosjean acabaram aderindo ao gesto.

“Não quero que as pessoas sintam-se forçadas a nada. Quero pessoas que estejam animadas para fazer parte da mudança e quero encoraja-las a pensar: ‘quero ser parte da mudança para que nossos filhos tenham uma vida melhor no futuro’. É disso que se trata”, completou.

Hamilton terminou a primeira corrida do ano no segundo lugar, mas sofreu uma punição de cinco segundos após se envolver em um acidente com Alexander Albon, da Red Bull, e caiu para a quarta posição. O vencedor foi o companheiro de Mercedes Valtteri Bottas. Charles Leclerc, da Ferrari, e Lando Norris, da McLaren, completaram o pódio.

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