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Lenda do judô, Teddy Riner leva o bronze no Budokan: ‘Orgulhoso’

Aos 32 anos, o ídolo francês não conseguiu igualar recorde de três títulos olímpicos, mas deixou sua marca no templo da modalidade criada no Japão

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 30 jul 2021, 08h54 - Publicado em 30 jul 2021, 08h46

O Budokan, ginásio construído em 1964 para a abrigar as lutas da judô, que naquele ano estreava nos Jogos Olímpicos de Tóquio, e, portanto, considerado o grande o tempo da modalidade criada no Japão, recebeu na madrugada desta sexta-feira, 29, uma das maiores lendas do esporte. O francês Teddy Riner, o homem que revolucionou a categoria peso pesado (acima de 100 quilos) e que buscava terceira medalha de ouro. Não deu, mas o francês, que nos últimos anos sofreu com lesões, se mostrou satisfeito com a medalha de bronze.

“Me sinto bem. Eu era o atual medalhista de ouro, mas as vezes é o dia do outro. Eu estou muito feliz, orgulhoso da minha quarta medalha em quatro Olimpíadas. É um bom dia. Vou descansar algumas horas e voltar amanhã para lutar de novo”, afirmou Riner em entrevista ao SporTV. Ele desperdiçou a chance de igualar a marca do japonês Tadahiro Nomura, único judoca a conquistar três medalhas de ouro em Jogos Olímpicos, nos Jogos de Atlanta-1996, Sydney-2000 e Atenas-2004.

O ouro da categoria ficou com o tcheco Lukas Krpalek, que bateu o georgiano Guram Tushishvili na final e tornou-se o primeiro judoca a ser campeão em duas categorias diferentes (na Rio-2016, ele sido o campeão até 100 quilos).

O retorno de uma lenda

Teddy Riner com o filho e a esposa na Arena Carioca dos Jogos do Rio
Teddy Riner com o filho e a esposa na Arena Carioca dos Jogos do Rio David Finch/Getty Images

Rinner, o gigante o gigante de 2,04 metros e 140 quilos chegou à terra do judô como uma incógnita. Bronze em Pequim-2008, aos 19 anos, ele dominou a modalidade por quase uma década: foi campeão olímpico em Londres-2012, na Rio-2016 e conquistou nove títulos mundiais. Com carisma e talento, o atleta nascido em Guadalupe, território francês no Caribe (mudou-se com poucos meses para a França), tornou-se uma celebridade mundial. Teddy Bear, como é conhecido, é embaixador da Unicef, faz parte do time de atletas do PSG e presença constante em badalados eventos pela Europa. Aos 32 anos, porém, vinha sofrendo com lesões e dando sinais de abatimento. 

Em fevereiro do ano passado, Rinner perdeu uma invencibilidade de nove anos, sendo 154 lutas, justamente em casa, no Grand Slam de Paris, para o japonês Kokoro Kageura. A última derrota havia sido no dia 13 de setembro de 2010, para Daiki Kamikawa, outro japonês, na final do Mundial Absoluto, também em Tóquio. Nos últimos anos, disputou pouquíssimos torneios, apenas o suficiente para se classificar à Olimpíada, e por isso não chegou ao Japão como como cabeça de chave.

Ele iniciou a caminhada em Tóquio com vitória por ippon sobre o austríaco Stephan Hegyi por ippon. Em seguida, passou pelo israelense Or Sasson, bronze nas Olimpíadas de 2016, com um wazari. A derrota veio diante do russo Tamerlam Bashaev, líder do ranking mundial, no golden score. Depois, Riner superou na repescagem o brasileiro Rafael Silva, o “Baby”, com um wazari e uma uma chave de braço, causando a desistência do medalhista de bronze em Londres-2012 e no Rio-2016.

Na decisão pelo bronze, Rinner superou o japonês Hisayoshi Harasawa, que sofreu três punições. Aos fãs, um alento: este não deve ser o último ato de Rinner, que já manifestou o desejo de encerrar a carreira em casa, nas Olimpíadas de Paris, em 2024.

Teddy Riner com o filho e a esposa na Arena Carioca dos Jogos do Rio
Teddy Riner se consagrou na Rio-2016 com o bi olímpico Pascal Le Segretain/Getty Images
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