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Leilão para a venda do Pinheirão fracassa em Curitiba

Por Da Redação - 6 out 2011, 16h58

Por Evandro Fadel

Curitiba – Nenhum grupo dispôs-se a pagar pouco mais de R$ 66,6 milhões em leilão realizado nesta quinta-feira, em Curitiba, para a compra do terreno da Federação Paranaense de Futebol (FPF) onde fica o estádio Pinheirão, no bairro Tarumã. O leilão foi determinado pela Justiça Federal, em razão de dívidas da FPF com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Nova sessão para tentativa de venda será feita no próximo dia 20, com preço mínimo 50% inferior ao desta quinta, segundo o leiloeiro Jorge Ferlin Dale Nogari dos Santos.

Ele disse que o Grupo Leiloeiro Nogari recebeu vários telefonemas de pessoas perguntando detalhes sobre o imóvel e o leilão. Mas, de acordo com Santos, a determinação para que o pagamento seja à vista é uma das dificuldades para que as ofertas apareçam. Na sessão desta quinta, aparentemente havia representantes de pelo menos três interessados. No entanto, a maioria saiu sem se identificar ou dizer a que grupo pertencia.

Apenas o consultor Wilson Clementino dispôs-se a conversar, embora não revelasse qual o grupo que estava representando, dizendo apenas que se trata de um do próprio Paraná. Segundo ele, além da não possibilidade de parcelamento – na maioria dos leilões desta quinta o pagamento podia ser feito em até 30 meses -, alguns aspectos não estão esclarecidos, como um possível ressarcimento a proprietários de cadeiras e a possibilidade de construção de outro empreendimento que não os destinados a esportes no local. “A compra é um tiro no escuro”, ponderou.

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Mas ele acredita que aparecerão vários interessados no próximo leilão, em razão do preço mais baixo. “Vai ter disputa”, previu. Um primeiro leilão já tinha sido realizado em 2007. A empresa Madeshopping, do grupo paranaense Tacla, tinha arrematado por R$ 11,2 milhões. No entanto, a 2.ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça cancelou o evento por considerar que o valor era muito baixo. O novo leilão pode ser cancelado, caso a FPF consiga recursos para quitar os débitos de cerca de R$ 60 milhões.

O edital de leilão da área de mais de 124 mil metros quadrados não esconde que o estádio “encontra-se em péssimo estado de conservação, com rachaduras e infiltrações decorrentes da ausência de manutenção”. O Pinheirão tinha projeto de ser um estádio para 127 mil espectadores.

Inaugurado em junho de 1985, ele chegou a ter capacidade para 55 mil pessoas. Em razão das dívidas, o ex-presidente da FPF, Onaireves Rolim de Moura, chegou a ficar preso em 1997. Como está interditado desde 2007, no início de setembro deste ano os associados autorizaram a direção da FPF a vendê-lo.

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