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Leicester já pensa em reforços – enquanto Audax desmonta o time

Campeão inglês disputará a Liga dos Campeões e deve multiplicar suas receitas. Já a equipe de Osasco deve repetir a triste sina de outros finalistas do Paulistão

Leicester City, na Europa, e Audax, no Brasil, são até o momento as grandes surpresas do futebol em 2016. Com um orçamento modesto em relação aos gigantes de seu país, a equipe inglesa se sagrou campeã nacional pela primeira vez em 132 anos de história. Já a jovem equipe de Osasco eliminou São Paulo e Corinthians e decidirá neste domingo o título do Estadual contra o Santos. As coincidências, porém, param por aí: enquanto o Leicester já vislumbra um futuro brilhante, com participação na Liga dos Campeões e muito dinheiro em caixa, o Audax luta para manter seus jogadores e não ser apenas mais uma equipe brasileira que brilha em um semestre e desaparece no outro.

O técnico do Leicester, Claudio Ranieri, tem dito repetidamente que o clube não busca estrelas para a próxima temporada. Seu principal objetivo é manter os destaques do time, o que pode não ser tão simples. O argelino Riyad Mahrez, de 25 anos, é um dos mais valorizados – teria propostas do Barcelona e do Arsenal, segundo os tabloides britânicos. O francês N’Golo Kanté também teria sido procurado pelo Paris Saint-Germain, e Jamie Vardy espera por propostas depois de ter sido eleito o melhor do campeonato.

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Ranieri, porém, confia na permanência dos atletas. “Se meus atletas quiserem sair, tentarei convencê-los a ficar. Esse clube é fantástico, ganhamos o título e podemos fazer coisas boas nos próximos anos. Se os jogadores saírem, não saberão o que vai acontecer. Aqui em Leicester são reis”, afirmou o treinador italiano ao jornal Daily Mail. “Os jogadores são como meus filhos. Eu diria para eles terem cuidado. A longo prazo, o Leicester estará em um nível alto.”

Segundo o mesmo jornal, o Leicester já estaria negociando com jogadores bem cotados no continente: o atacante colombiano Radamel Falcao Garcia, que pertence ao Monaco, o camaronês Vicent Aboubakar, destaque do Porto, e o marfinense Seydou Doumbia, do Newcastle. Com o título e a vaga na próxima Liga dos Campeões, o clube inglês deve multiplicar suas receitas para 2017.

Audax – O time de Osasco, que estreou como equipe profissional em 2007 e é gerido como clube-empresa, tem expectativas bem diferentes. Desde a vitória sobre o Corinthians na semifinal, o clube já negociou três de seus destaques: o lateral/meia Tchê Tchê reforçará o Palmeiras e os meias Bruno Paulo e Camacho irão para o Corinthians. Os três devem assinar contrato logo após a final deste domingo.

O presidente do clube, o ex-jogador Vampeta, admite que não há como evitar a debandada. “Nós estamos felizes que os jogadores estejam interessando a outras equipes. Isso será ótimo para a carreira deles”, afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo. O próprio elenco já fala em clima de despedida. “Temos que viver tudo ao máximo nesta semana, como a nossa parceria, a nossa amizade e tudo aquilo que a gente semeou. Infelizmente é um ciclo que se acaba. Muita gente vai sair, mas teremos coisas boas no futuro”, comentou o goleiro Sidão.

O técnico Fernando Diniz, bastante elogiado pelo estilo de jogo da equipe – que investe na posse de bola a partir da defesa e dominou as partidas contra os grandes clubes de São Paulo – também está bastante valorizado e deve receber propostas no segundo semestre.

Comprado em 2013 pelo empresário Mário Teixeira – antes o clube pertencia ao grupo Pão de Açúcar – o Audax seguirá longe da elite, mesmo que conquiste o Paulistão. No segundo semestre, o clube disputará a Série D do Brasileirão, um torneio pouco atrativo para os atletas que se destacaram no Estadual. A tendência é que o clube siga o caminho de outros finalistas recentes do Paulistão – como Ituano, Santo André e Guarani, entre outros – que não conseguiram se manter fortes depois de um Estadual brilhante.

Fernando Diniz, técnico do Audax Fernando Diniz, técnico do Audax

Fernando Diniz, técnico do Audax (/)

(da redação)