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LeBron James mexe no vespeiro entre NBA e China (e se dá mal)

Astro do Los Angeles Lakers criticou tuíte de dirigente que iniciou crise diplomática. Depois, recorreu ao próprio Twitter para esclarecer suas declarações

Por Da redação - Atualizado em 15 out 2019, 13h19 - Publicado em 15 out 2019, 13h06

A NBA segue em crise diplomática (e financeira) com a China e o conflito ganhou um badalado reforço na última segunda-feira 14. LeBron James, o maior astro da liga americana de basquete, que costuma ser uma voz importante na defesa das minorias – e é um assíduo crítico do presidente Donald Trump –, resolveu mexer no vespeiro. Como quase todos os envolvidos, depois teve de voltar ao tema para “esclarecer” alguns pontos.

Primeiro, LeBron criticou o diretor executivo do Houston Rockets, Daryl Morey, autor do tuíte sobre os protestos em Hong Kong que desencadeou toda a crise. “Lute pela liberdade, apoie Hong Kong”, escreveu Morey, no último dia 4, na rede social, em apoio aos protestos contra o governo chinês. A repercussão foi imediata e o dirigente apagou a postagem horas depois. Tarde demais.

“Não quero entrar numa discussão verbal com Daryl Morey, mas acredito que ele não tinha conhecimento suficiente sobre a situação em questão ou estava mal informado”, declarou James antes da partida de pré-temporada de seu time, o Los Angeles Lakers, contra o Golden State Warriors, no Staples Center.

“Muitas pessoas poderiam ter sido prejudicadas não só financeiramente, mas também física, emocional e espiritualmente, então é preciso ter cuidado com o que tuitamos, dizemos e fazemos”, continuou o jogador de 34 anos. “Sim, temos liberdade de expressão, mas também pode haver muitos aspectos negativos por causa disso.”

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James, que em tantos momentos se apresentou como um defensor da liberdade de expressão, foi acusado de hipocrisia e de estar apenas tentando sustentar os milionários laços econômicos entre a liga e o país – estima-se que 800 milhões de chineses acompanharam a NBA em 2018, audiência maior que a dos Estados Unidos. Horas depois, LeBron recorreu ao Twitter para se explicar melhor.

“Deixem-me esclarecer esta confusão. Não creio que tenha havido consideração para as consequências e ramificações do tuíte. Não discuto o conteúdo. Outras pessoas podem falar sobre isso. Minha equipe e eu acabamos de passar por uma semana difícil. As pessoas precisam compreender as consequências que um tuíte ou uma declarações podem ter nos outros. E acredito que ninguém parou para pensar o que aconteceria. Ele poderia ter esperado uma semana”, escreveu.

LeBron James e os Lakers estiveram na última semana na China para disputar dois jogos de exibição contra o Brooklyn Nets, em meio à comoção provocada pelo tuíte de Morey. A região autônoma chinesa é palco de manifestações cada vez mais violentas desde junho entre as forças de repressão e cidadãos, que exigem menor controle do governo de Pequim.

O governo e outras vozes influentes na China expressaram seu repúdio ao tuíte de Morey, visto como uma intromissão em um assunto que diz respeito à soberania do país. O comissário da NBA, Adam Silver, se negou a pedir desculpas pelo ocorrido, o que agravou a crise.

“A NBA não se permite regulamentar o que os jogadores, funcionários e donos das equipes dizem ou deixam de dizer sobre esses temas”, declarou Silver. Em relação ao possível cancelamento da exibição de jogos da NBA no lucrativo mercado chinês, o comissário afirmou: “É uma pena, mas se essas são as consequências de aderirmos a nossos valores, sentimos que é de vital importância seguir com eles.”

Oficialmente, porém, a liga teve postura diferente. Em um comunicado em inglês, a liga afirmou que “admitimos que as opiniões expressadas pelo gerente-geral do Rockets, Daryl Morey, ofenderam profundamente muitos de nossos amigos e torcedores na China, o que é lamentável”.

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A versão em chinês emitida pela NBA foi além. “Estamos extremamente decepcionados com os comentários inadequados feitos pelo gerente-geral do Rockets, Daryl Morey. Temos grande respeito pela história e pela cultura da China e esperamos que o esporte e a NBA possam ser usados como uma força unificadora para transpor abismos culturais e unir as pessoas”.

A postura da liga foi criticada tanto por líderes republicanos quanto democratas, que defenderam que interesses econômicos não podem se sobrepor à defesa da constituição e da liberdade de expressão no país.

Yao Ming , ex-jogador de basquete
Yao Ming , ex-jogador de basquete Jeff Gross/Getty Images

Morey, por sua vez, deletou sua postagem e pediu desculpas. “Não era minha intenção que meu tuíte causasse qualquer ofensa aos torcedores do Rockets e aos meus amigos na China”, afirmou. “Estava meramente expressando um pensamento, baseado em uma interpretação, de um evento complicado”, disse, acrescentando que desde então ouviu e levou em conta outras perspectivas.

Os Rockets são muito populares na China, em especial porque contrataram em 2002 o jogador chinês Yao Ming, que se tornou um astro e ajudou a criar seguidores da NBA no país.

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A mensagem levou a marca de roupas esportivas Li-Ning e o patrocinador Centro de Cartões de Crédito do Banco de Desenvolvimento Xangai Pudong (SPD Bank) a suspenderem seu trabalho com os Rockets, e os jogos do time foram tirados da grade da emissora estatal chinesa.

(com AFP)

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