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Juvenal vê elenco bom e diz não ter substituto para Leão

Por AE

São Paulo – Pouco depois de Emerson Leão confirmar a sua saída do São Paulo, o presidente do clube, Juvenal Juvêncio, fez um longo pronunciamento no CT da Barra Funda, no início da tarde desta terça-feira, quando admitiu não ter um substituto em vista para o lugar do demitido treinador. O dirigente chegou a dizer que hoje o Brasil não possui boas opções no seu mercado de técnicos e admitiu que o clube tentou contratar, em sucesso, um estrangeiro para o cargo, cujo nome não foi revelado. Porém, ele próprio não se empolgou com a ideia proposta pela diretoria são-paulina de buscar um comandante no exterior.

Lendo mais de uma folha de papel que trouxe para o seu pronunciamento, o mandatário são-paulino deixou claro que vê Leão como grande responsável pelos últimos fracassos do time, sendo o último deles a eliminação nas semifinais da Copa do Brasil, na última quarta-feira, com a derrota por 2 a 0 para o Coritiba, fora de casa.

Para justificar a sua opinião, Juvenal se respaldou no fato de ter acertado a contratação de vários reforços no início da última temporada e promovido jogadores da base para a renovação do elenco do ano passado. “Qual é o nosso entendimento? O nosso entendimento é o de que agora nós temos uma equipe competitiva, aquela equipe de lá do ano passado saiu toda, com exceção do garoto Lucas, do Casemiro, do Rogério Ceni, que está lesionado. Então o problema nosso agora não é mais do plantel, o problema é o técnico. Agora se restabeleceu uma ordem”, ressaltou.

Juvenal ainda se gabou do fato de Leão não possuir uma multa rescisória em seu contrato, fato que tornou a sua demissão uma solução que não sairá caro para os cofres do clube, e aproveitou para reafirmar o fato de que qualificou o trabalho do recém-demitido técnico apenas como “razoável”. Para completar, mostrou desânimo ao falar sobre a missão de buscar um substituto de peso para o cargo.

“O Brasil não é muito brilhante em técnicos, é brilhante em jogadores. Tem muitos bons nomes (entre os treinadores), mas tem muitos problemas de toda a ordem. É muito penoso contratar técnico”, acrescentou Juvenal, antes de assegurar que tinha “convicção” de que demitir Leão era a melhor solução, embora admita que o ideal seria já ter um substituto em vista.

“Você não pode demitir um técnico se não tiver convicção de que ele deva sair. Segundo, você tem que ver o momento. E você tem que ter a convicção de quem vai colocar no lugar. Só não temos ainda a última dessas coisas. Entendo que esse era o momento. Nós pensamos em alguns nomes de estrangeiros. Tivemos algumas conversas, mas elas não evoluíram”, prosseguiu.

Juvenal ainda fez uma comparação esdrúxula com três dos principais clubes do futebol europeu para justificar a demissão de Leão. “O Barcelona ou o Real Madrid, na temporada que inicia agora em agosto, vai contratar um, no máximo dois atletas, talvez o Chelsea contrate três pelas condições especiais do seu presidente. O São Paulo, para a temporada de 2012, que começou as contratações em meados de 2011, contratou, ou promoveu da sua base, 23 atletas”, disse o mandatário, se referindo ao fato de que teria cumprido a sua missão de reformular o elenco são-paulino, enquanto o técnico não teria conseguido fazer um bom trabalho com um elenco forte em mãos.

Sem um substituto dentro de um curto prazo em vista, Juvenal Juvêncio confirmou que o coordenador técnico do São Paulo, Milton Cruz, assumirá o comando de forma interina e mostrou não estar com pressa para achar um novo treinador. “O Milton assume e vamos correr atrás para ver o que vai acontecer”, avisou. Desta forma, o interino comandará o time neste sábado, contra o Cruzeiro, em Belo Horizonte, pela sétima rodada do Campeonato Brasileiro.