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Jornalista da BBC acusa presidente da CBF de corrupção

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, alvo de um inquérito por evasão fiscal e lavagem de dinheiro, e o ex-presidente da Fifa, João Havelange, foram acusados esta quarta-feira por um jonralista da BBC de ter recebido 60 milhões de dólares de suborno.

Ricardo Teixeira está à frente da CBF desde 1989 e é protegido de Havelange, seu sogro que chefiou a mais alta instância do futebol mundial durante quase 25 anos até 1998. A CBF é o comitê organizador da Copa de 2014.

“Teixeira é um mau sócio do governo federal na Copa do Mundo-2014”, disse em audiência no Senado o jornalista da BBC Andrew Jennings, autor do livro “Jogo sujo: o mundo secreto da Fifa”, que investiga há 10 anos a corrupção na associação.

“Se a presidente Dilma (Rousseff) ler meus documentos e verificar os fatos, mudará o Comitê Organizador da Copa em poucos dias. Ricardo Teixeira está fazendo a Copa no Brasil para roubar nos contratos”, disse.

“Como (Teixeira) pode continuar sendo o responsável pela Copa do Mundo? O mundo inteiro está em choque (…) Vocês têm que solucionar este problema e selecionar pessoas honestas, pessoas limpas, para organizar a Copa”, acrescentou.

Com base em um documento da justiça suíça, Jennings afirma que a empresa de marketing esportivo ISL subornou Havelange e Teixeira nos anos 90 para assegurar o controle dos direitos de transmissão e contratos de patrocínio de várias Copas do Mundo.

O jornalista disse que Havelange recebeu 50 milhões de dólares da empresa Sicuretta, com sede em Luxemburgo, e Teixeira, outros US$ 9 milhões através da empresa Sanud.

Segundo Jennings, a Justiça suíça chegou a um acordo com ambos para que restituam parte do dinheiro, em troca de manter seus nomes sob sigilo.

Uma investigação do Senado brasileiro em 2001 havia estabelecido que recursos da Sanud tinham sido recebidos por Teixeira.

Consultada pela AFP, a CBF repudiou estas acusações.

“Não vamos comentar (as denúncias de Jennings) porque está dizendo as mesmas coisas há 20 dias, há 20 anos. Escreveu um livro, não há nenhuma novidade (…) É seu negócio”, disse à AFP Rodrigo Paiva, porta-voz da CBF.