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Jogos Olímpicos deverão abrir espaço para as competições de videogames

A ideia é atrair jovens e se ajustar aos novos tempos

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 19 mar 2021, 08h31 - Publicado em 8 jan 2021, 06h00

Os Jogos Olímpicos da era moderna são, à sua maneira, um retrato fiel — e implacável — do tempo. Na edição realizada em Paris, em 1900, o tiro ao pombo foi disputado por 55 competidores que abateram sem piedade, com armais reais, cerca de 300 aves. No início do século XX, as pessoas não se importavam, ou fingiam não se importar, com o sofrimento dos animais. Até a Olimpíada da Antuérpia, em 1920, uma prática recreativa nas escolas, o cabo de guerra, consagrou inúmeros campeões, que tinham apenas de arrastar os adversários por míseros mas dolorosos 2 metros. O passar dos anos não mudou a vocação olímpica para incorporar o espírito do seu tempo. Nos Jogos de Tóquio, previstos para julho e agosto (se a pandemia deixar), surfe e skate foram integrados à programação com a nobre intenção de atrair a audiência jovem. Para o futuro próximo, a ideia é ainda mais corajosa: tornar os e-sports modalidades olímpicas.

A proposta está na pauta do Comitê Olímpico Internacional. Em recente entrevista, Thomas Bach, presidente da entidade, deixou as portas abertas aos gamers, ressaltando que a evolução tecnológica exige dos jogadores habilidades complexas. Bach fez uma ressalva: “Os chamados ‘jogos de matar’ contrariam os valores olímpicos e, por isso, não podem ser aceitos”. Ele e seus pares do COI, portanto, estão propensos a incluir na Olimpíada games que simulem outros esportes, como ciclismo e até futebol. Os e-sports são uma realidade. Os torneios lotam estádios — inclusive no Brasil —, a audiência é crescente e os atletas recebem fortunas para defender os seus times, exatamente como ocorre nas modalidades tradicionais. Estima-se que 3 bilhões de pessoas joguem videogames no mundo. É a mesma quantidade de fãs do futebol. Números como esse explicam por que o COI se renderá aos jogos eletrônicos. A pergunta não é se eles serão olímpicos, mas quando.

Publicado em VEJA de 13 de janeiro de 2021, edição nº 2720

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