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Jogos e preces: a vida dos corintianos presos na Bolívia

VEJA entrou no presídio onde estão confinados os doze torcedores brasileiros acusados pela promotoria boliviana de participarem da morte de adolescente

Por Alexandre Salvador 28 fev 2013, 20h24

Por volta das 14 horas desta quinta-feira, a reportagem de VEJA acompanhou a entrega do almoço aos doze torcedores do Corinthians detidos pela polícia boliviana e acusados pelo ministério público local de participar direta ou indiretamente da morte do jovem Kevin Espada, durante a partida entre San José e Corinthians na quarta-feira passada, 20. As refeições foram compradas no centro de Oruro por outros dois membros da torcida organizada Gaviões da Fiel que acompanham o caso, e levadas ao centro penitenciário San Pedro.

Ao entrar no centro penitenciário San Pedro, os dirigentes da organizada que estão levando as marmitas com arroz, feijão e carne são recebidos aos gritos de “Corinthians” pelos presidiários bolivianos, que também lhes pedem dinheiro e comida. Subindo uma escada lateral, chega-se a uma ala isolada do presídio, justamente onde estão os brasileiros. “No início, era para nos proteger dos outros detentos. Chegamos aqui e o clima estava pesado. Os outros presos gritavam ‘San José, San José’ para nós”, disse Tadeu de Macedo Andrade, um dos corintianos presos em Oruro. A entrada dessa ala é protegida por um guarda.

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Logo depois de passar pela porta trancada com cadeado e pelo guarda estão as duas celas onde dormem os torcedores brasileiros. Em uma delas já existe a inscrição “Pavilhão Nove” acima da porta. Dentro, os corintianos rabiscaram na parede dizeres que expõem a sua revolta como “Os 12 Inocentes” e “Presos por amor ao Corinthians”. O espaço é pequeno e os colchões no chão mal acomodam cada um dos presos. Dormem seis torcedores em cada cela. Ambas ficam sem ventilação quando a porta é trancada pelos carcereiros, às 22 horas.

Seguindo mais a frente há um pequeno pátio coberto, que dá para meia dúzia de celas, além de um espaço para visitas e um banheiro. Os corintianos dividem esse espaço com presos comuns, que também estão isolados dos demais por questões de segurança. “Esses caras estão jurados de morte. Se descerem lá para o pátio central serão esfaqueados na certa”, disse Fabio Neves Domingos, outro corintiano detido na penitenciária de San Pedro.

Embora tenha uma vizinhança pouco confiável, os brasileiros já circulam livremente entre as outras alas da penitenciária, disputam partidas de vôlei e futebol com os outros internos e têm regalias inexistentes nos presídios brasileiros. A maior delas: existe um telefone público no pátio exclusivo dos brasileiros, que fica à sua disposição das 9 da manhã as 9 da noite. É por meio desse orelhão que os torcedores corintianos entram em contato com familiares, amigos e com o advogado do grupo.

Além das refeições trazidas por seus companheiros que estão aqui em Oruro, os brasileiros também recebem a visita diária de um casal de missionários evangélicos locais. Eles trazem mimos como bolo e café. Após conversarem individualmente com os torcedores, eles reúnem todos da ala isolada onde estão os brasileiros para uma prece e a leitura de passagens bíblicas.

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