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Jogo com torcida na Libertadores: dava para esperar mais um pouco

A Conmebol permitiu a presença de 5.000 convidados na final entre Palmeiras e Santos, na contramão do crescimento de casos de Covid-19 no Brasil

Por Alexandre Senechal Atualizado em 4 fev 2021, 13h57 - Publicado em 5 fev 2021, 06h00

Desde março de 2020, nenhum jogo de futebol no Brasil tinha recebido torcida — até a final da Libertadores entre Palmeiras e Santos no Maracanã, em 30 de janeiro, sábado de sol no Rio, com 40 graus à sombra. A Conmebol, entidade que comanda o futebol sul-americano, permitiu a presença de 5 000 convidados, na contramão do crescimento de casos de Covid-19 no Brasil, embora tenha exigido apresentação de testes negativos. O problema: os testes ajudam, mas não servem de salvo-conduto ou certeza de que não haverá contaminação depois de realizados. Pior: os torcedores alviverdes e alvinegros ocupavam um espaço pequeno do estádio, aglomerando-se. Nem todos usavam máscaras. O sistema de som emitia sinais de alerta, relembrando a necessidade de proteção, mas para quê? O estrago já estava feito. Uma decisão entre brasileiros havia ocorrido apenas outras duas vezes, e levar o jogo ao mítico Maracanã foi bela ideia, decidida antes de o vírus dar as caras — infelizmente, contudo, deu-se a pandemia, e, se ela mudou o cotidiano para toda a sociedade, não poderia ser diferente no futebol. É uma pena, mas assim é, até que a vacinação permita a retomada das atividades. A patuscada durante os noventa minutos só foi menor do que a multidão que se juntaria na madrugada paulista para receber os jogadores do Palmeiras, merecidos campeões, depois da vitória por 1 a 0, com gol nos acréscimos. Houve, ainda, aglomeração a caminho do aeroporto, rumo ao Catar, onde a equipe alviverde começaria a disputar o Mundial de Clubes, em 7 de fevereiro. Outra bola fora.

Publicado em VEJA de 10 de fevereiro de 2021, edição nº 2724

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