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Jogador se torna herói na Itália por se recusar a entregar partida

Cristina Cabrejas.

Roma, 23 dez (EFE).- O verdadeiro herói do futebol italiano nos últimos dias não foi um jogador que deu a vitória a sua equipe no último minuto, nem o que marcou o gol mais bonito, mas Simone Farina, até agora um desconhecido defensor do Gubbio, da segunda divisão.

A grande ação de Farina não foi dentro de campo, mas nos tribunais. O atleta de 29 anos rejeitou uma grande quantia para manipular um jogo de sua equipe e denunciou tudo.

Seu gesto fez com que ele ganhasse a admiração do todo o mundo do esporte, tendo sido premiado inclusive com uma convocação ‘simbólica’ pelo técnico da seleção da Itália, Cesare Prandelli.

Desta denúncia partiu uma investigação que proporcionou a descoberta de uma rede que manipulava resultados com a colaboração de alguns jogadores para conseguir lucro nas apostas.

Na operação, foram detidas 17 pessoas, entre elas Cristiano Doni, ex-capitão da Atalanta, e outros quatro jogadores de divisões inferiores do Campeonato Italiano.

As investigações que começaram recentemente se concentram em irregularidades nas partidas das divisões menores da Itália e de outras competições da Europa, mas também existe a suspeita de que jogos da elite tenham sido manipulados, inclusive na atual temporada.

Doni, o jogador mais aclamado pelos torcedores da Atalanta e que jogou a Copa do Mundo de 2002, entrou no mundo das apostas, segundo as investigações.

Farina, atleta de 29 anos, tem dois filhos e ganha 90 mil euros por ano. Ele rejeitou o dobro de seu salário para se manter íntegro e não se juntar a mais um defensor para entregar a partida para o Cesena, em jogo válido pela Copa da Itália, em 30 de novembro.

Em uma competição recentemente abalada pela corrupção, a história do jogador comoveu todos os apaixonados por futebol, e agora ele é uma estrela das redes sociais, com páginas dedicadas a seu gesto.

Um grupo abriu uma página no Facebook para pedir que Farina possa disputar um jogo com a camisa da ‘Azzurra’. Em poucos dias, milhares de pessoas apoiaram a iniciativa. Prandelli então convidou o defensor a treinar com o grupo.

‘É estupendo o que ele fez. Demonstrou coragem e uma força interior extraordinária’, declarou o treinador da seleção italiana, ao anunciar que Farina vestirá a camisa da seleção em pelo menos um treinamento.

‘Isso é um gesto para que ele saiba que não está sozinho. Claro que esta é uma decisão ética e não técnica’, acrescentou Prandelli.

Farina irá em fevereiro à concentração da seleção italiana, antes da viagem da equipe para os Estados Unidos, e realizará o sonho de qualquer jogador: vestir a camisa de seu país. EFE