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Joanna Maranhão e Daiane dos Santos cobram fim do silêncio sobre abusos no esporte

Ex-nadadora e ginasta lançam apelo na terceira edição do Fórum Esporte Seguro, promovido pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), no Rio de Janeiro

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 ago 2026, 13h50
Joanna Maranhão e Daiane dos Santos cobram fim do silêncio sobre abusos no esporte Priorizar nos meus resultados Google

A ex-nadadora olímpica Joanna Maranhão defendeu nesta quinta-feira, 6, que o combate a abusos e violações dos direitos humanos no esporte passa, necessariamente, pelo rompimento da cultura do silêncio. A declaração foi feita ao lado da ex-ginasta Daiane dos Santos durante o painel de abertura da terceira edição do Fórum Esporte Seguro, promovido pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), no Hotel Hilton Copacabana, no Rio de Janeiro.

Com o tema “O Atleta no Centro do Esporte Seguro”, o primeiro debate do evento reuniu atletas e dirigentes para discutir formas de tornar o ambiente esportivo mais seguro e acolhedor. Ao longo do dia, o fórum também promove painéis sobre governança, papel dos treinadores e atuação dos profissionais de saúde na prevenção da violência e na promoção do bem-estar dos atletas.

Uma das principais vozes da defesa dos direitos dos atletas no país, Joanna afirmou que enfrentar episódios de violência não enfraquece a imagem do esporte, mas contribui para sua evolução.

“Eu me recuso a normalizar o abuso. Não acredito que falar sobre isso manche a reputação do esporte; pelo contrário, eu o amo tanto que quero que ele seja melhor do que isso”, afirmou ela, acrescentando que “o silêncio não é mais uma opção”.

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Ao comentar os desafios enfrentados por vítimas que decidem denunciar abusos, Joanna falou sobre sua própria história. A ex-nadadora denunciou, aos 21 anos, ter sofrido abuso sexual quando tinha 9 anos de idade, cometido por seu então treinador.

“O preço de falar é muito alto. Enquanto eu treinava para os meus últimos Jogos Olímpicos, eu precisava me defender de processos movidos pelo meu abusador. Precisamos de sistemas que realmente protejam quem denuncia”, instou. 

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Já ao abordar o papel das entidades esportivas, Joanna avaliou que ainda há uma cultura predominantemente reativa diante dos casos de violência.

“As organizações esportivas costumam reagir aos problemas, mas ainda falham em preveni-los e em oferecer suporte contínuo após as ondas de violência passarem”, ela disse.

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Questionada por VEJA sobre a participação de atletas acusados de abuso sexual em grandes competições internacionais, como ocorreu recentemente na Copa do Mundo, Joanna defendeu que o desempenho esportivo não pode servir para relativizar acusações de violência: “Não podemos celebrar atletas apenas pelo que fazem em quadra, ignorando violações cometidas fora dela”, afirmou.

III Fórum Esporte Seguro

Na abertura do evento, o presidente do COB, Marco Antônio La Porta, destacou que a criação de ambientes protegidos para os atletas é uma prioridade da entidade e afirmou que o crescimento do fórum reflete a consolidação do tema dentro do Movimento Olímpico Brasileiro.

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A primeira mesa do III Forum Esporte Seguro também contou com a participação da campeã mundial da ginástica artística Daiane dos Santos, que defendeu o protagonismo dos atletas na construção de ambientes seguros e afirmou que mudanças estruturais exigem enfrentar problemas historicamente ignorados.

“Não tem como curar a ferida sem mexer no machucado. A voz do atleta precisa ecoar para defender o ambiente seguro que lhe pertence”, destacou a ex-atleta.

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Já a presidente da Comissão de Atletas do COB, Fernanda Nunes, destacou que um dos principais obstáculos para o enfrentamento da violência continua sendo o receio de sofrer represálias dentro do próprio ambiente esportivo.

“O medo da retaliação é real. O atleta quer continuar no ambiente e teme ficar marcado como alguém que ‘reclama’”, resumiu Nunes.

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