Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Jeito ‘bonachão’ vira trunfo de Marcos para ganhar respeito do grupo

Por Da Redação 5 jan 2012, 07h08

A simplicidade e o carisma de Marcos contribuíram para que ele cativasse torcedores de outros clubes. No entanto, antes de conquistar os rivais palmeirenses, o ex-goleiro precisou achar seu espaço dentro do próprio Palmeiras, e, mais uma vez, sua personalidade foi fundamental para isso.

Marcos já tinha sete anos de casa quando precisou substituir Velloso, contundido, em meio à disputa da Copa Libertadores da América de 1999. Era um atleta ainda inexperiente, rodeado por outros já consagrados, que foi pego de surpresa com a notícia de que seria o novo titular na competição. O natural nervosismo, porém, não foi capaz de alterar o jeito brincalhão do ex-goleiro.

Ex-companheiros apoiam aposentadoria

A aposentadoria anunciada nesta quarta-feira não surpreendeu os ex-companheiros de Marcos, que, sabidos de todas as lesões que o ex-jogador sofreu, apoiaram a decisão de pendurar as luvas em 2012.

‘O Marcos merece tudo de bom, pelo caráter que tem, pelo homem que é. Um cara totalmente para cima, brincalhão, extraordinário. Sou flamenguista, mas sempre tive um carinho muito grande pelo Palmeiras e pelo Marcos. Torço para que ele seja muito feliz agora, com o que desejar fazer’, declara Junior Baiano.

Sem entrar em campo desde o dia 18 de setembro, no empate com o Avaí pelo Campeonato Brasileiro, Marcos ainda não decidiu sobre o jogo de despedida. O ex-goleiro recusou que a data fosse o amistoso contra o Ajax da Holanda, no próximo 14 de janeiro, e deve agendar a festa para o meio do ano.

Continua após a publicidade

‘A hora de parar é algo muito particular. Ele decidiu por isso e temos que apoiá-lo. Acho que merece uma partida de despedida de sua grandeza. Tem que ser com algum adversário que dê para ele jogar na linha por alguns minutos e fazer pelo menos um golzinho’, sugere Evair.

‘O Marcos sempre foi bonachão e isso ajuda muito dentro do grupo. As pessoas perceberam que ele estava fazendo a coisa com naturalidade. Era um cara do interior vencendo pelas qualidades que tinha. Com isso houve um entendimento e respeito muito grande por parte de todos os jogadores, que deram muita moral para ele’, conta Paulo Paixão, preparador físico do time na época.

A personalidade foi útil não só em campo, mas também no vestiário. Aos 26 anos, Marcos começou a criar laços mais fortes com os principais líderes do elenco e ganhou voz dentro do grupo. O respeito adquirido, no entanto, não fez com que o ex-goleiro escapasse das brincadeiras dos companheiros.

‘Ele era muito brincalhão. Lembro que eu o apelidei de sabão. Porque sempre que a gente saia à noite, chegava no outro dia e ele contava tudo que tinha acontecido para todo mundo. Eu falava: ‘Fica quieto, seu boca de sabão’. A gente castigava ele por isso’, diz o ex-zagueiro Junior Baiano.

O tempo passou, Marcos levantou a taça da Libertadores, sofreu com a derrota no Mundial de Clubes, deu a volta por cima com a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2002, jogou a Série B, passou por lesões, e não mudou seu jeito de ser. Quem garante é o ex-volante César Sampaio, que, ao ser contratado como gerente de futebol do Palmeiras há uns meses, reencontrou o mesmo companheiro deixou em 2000.

‘Ele é um cara muito simples, apesar da fama e da conquista do título mundial. É o maior ídolo das últimas décadas do Palmeiras. É um líder carismático. Quanto mais você convive com o Marcos, mais carinho você tem por ele’, garante o dirigente, que nesta quarta-feira soube sobre a aposentadoria do amigo em primeira mão.

Continua após a publicidade
Publicidade