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Japão: torcidas (muito) organizadas, mas nunca violentas

Ao contrário do que acontece na América do Sul e em algumas partes da Europa, os torcedores uniformizados japoneses quase nunca desrespeitam o adversário - chegam a vibrar com os lances do time rival, que é recebido com homenagens pela cidade onde acontece a partida. Na terra da civilidade e do respeito, futebol é apenas lazer. VEJA convidou um jornalista japonês a contar como funcionam as torcidas no país

Por Yoichiro Seki, com fotos de Keita Yasukawa, de Tóquio 17 mar 2013, 20h02

Depois do rebaixamento de uma equipe, o capitão pegou o microfone e pediu desculpas aos fãs pelo péssimo resultado, envergonhando-se pela campanha. Também prometeu voltar à divisão principal na próxima temporada. Os torcedores se acalmaram e saíram em paz

Não me lembro, nos últimos vinte anos, de qualquer confronto mais violento entre torcidas no Japão. Não há registro de morte numa situação dessas. As torcidas são muito organizadas mesmo: usam camisetas na mesma cor, levam pequenos instrumentos para fazer barulho, ensaiam palmas e alguns cantos para incentivar o time. Sem qualquer violência nem provocar a torcida adversária.

Nos estádios sempre há famílias inteiras. Vão os pais, mães, avós, netos, todos. E sempre muitas mulheres. Estádio no Japão jamais foi sinal de confusão ou local perigoso, é basicamente um lugar de lazer. Claro que para os padrões europeus ou sul-americanos pode parecer estranho, mas é comum, por exemplo, todos ficarem quietos durante um ataque e assim que a jogada for complementada, se foi bonita, não importa a torcida, todos batem palmas.

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Talvez copiado da solenidades das Olimpíadas, em vários jogos os clubes mandantes dos jogos convidam alguma autoridade – prefeito, por exemplo -, para dar as “boas-vindas” a todos os torcedores e, em especial, à torcida adversária. É o que chamamos de “espírito de welcome”. Os clubes contratam DJs que anunciam as escalações, narram as principais jogadas e ainda animam as torcidas, num esquema parecido com o dos jogos de basquete da NBA. É uma forma também de inibir qualquer violência e invocar respeito aos adversários, ensinamento familiar aos japoneses.

Yoichiro Seki, de 45 anos, é japonês, trabalha para o diário Tokyo Chunichi Sports e já cobriu a Olimpíada de Atlanta, a Copa América de 1999, as Copas do Mundo da França e da Coreia do Sul e Japão e a J-League nas últimas duas décadas.

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