Jade Barbosa fala sobre retorno à ginástica após parto: ‘Mostrar que é possível’
Aos 35 anos, medalhista olímpica planejou gestação em acordo com ciclo para Los Angeles 2028
A ginasta Jade Barbosa está de volta ao ginásio após dar à luz a filha Eva, em novembro de 2025. Na COB EXPO, a atleta do Flamengo falou sobre o seu retorno ao esporte e o apoio que recebeu durante o processo. Medalhista olímpica em Paris 2024, afirmou que a gestação foi planejada de olho na próxima edição em Los Angeles 2028.
Em entrevista a VEJA, Jade descreveu a sua volta aos treinos depois do parto: “Eu tive um processo gradativo. Então, com três dias, eu voltei para a fisioterapia pélvica, com um mês para a academia, e aos poucos eu fui voltando para o ginásio. Então primeiro três vezes na semana, depois quatro, depois cinco…Então eu não tive uma data que eu de fato retornei, mas eu acredito que quando a Eva tinha uns três meses eu já tava indo ao ginásio bastante.”
Antes da gestação, Jade também fez uma cirurgia de ligamento cruzado no joelho levando a duas recuperações cirúrgicas simultâneas, pois deu à luz à filha por cesárea: “Foi desafiador, mas a minha equipe multidisciplinar cuidou muito, principalmente de cuidar desse tempo biológico, porque às vezes a gente acha que a gente tá bem, que a gente pode, sente que o nosso corpo tá bem, que é possível. Mas não, tem que respeitar.”
“Enquanto atleta, agora mais velha, a gente tem mais maturidade, mais consciência, a gente sabe que às vezes se a gente pula uma etapa aqui que a gente quer ganhar uma duas semanas, às vezes a gente pode perder um mês com uma lesão”, completou.
Rede de apoio
Atleta do Flamengo, Jade celebrou a rede de apoio que teve durante a gestação e agora com a filha Eva a acompanhando nos treinos: “Eu posso dizer que eu sou uma atleta privilegiada por viver esse momento da maternidade da forma que eu estou vivendo. Eu sou uma atleta que é da seleção e eu também tenho um clube que tem um olhar muito carinhoso para esse momento que a mulher vive. Eu sou muito bem quista tanto no meu clube quanto na dentro da minha confederação e do meu do comitê olímpico.”
“A Eva tem um espaço dentro do comitê olímpico, onde eu fico, eu treino de segunda a sábado lá. Então, poxa, ter essa estrutura, essa rede de apoio, sentir que realmente eu não sou um peso, mas sim que eles estão me apoiando nesse momento, para mim tá sendo realmente diferencial”, continuou.
No painel “Saúde e performance feminina: gestação, pós-parto e retorno ao alto rendimento” na COB EXPO, a atleta comentou sobre o ineditismo do seu caso, como a primeira ginasta brasileira gestante que depois voltou ao esporte, sobre querer ser um exemplo para a próxima geração de que é possível.
“Eu desejaria que esse mundo fosse o mundo que as meninas, mulheres teriam certeza que elas vão ter, sabe? Eu sei que é uma realidade que não é de todas. Então eu gostaria muito de ser hoje parte do protocolo que vai ser indicado para essas novas gerações.”
De olho em 2028
Medalhista olímpica por equipes em 2024, a ginasta não pensa em diminuir o ritmo no ciclo olímpico e afirmou que a gestação da filha foi pensada na próxima edição dos Jogos.
“Eu tentei planejar a Eva nesse ano justamente para eu ter a melhor possibilidade de retornar competitivamente para Los Angeles. Porque assim, não é só o dia da competição, né? Tem toda a classificatória, tem todo o treinamento. Então assim, ter a Eva em 2025 fez parte desse plano para que 28 eu tivesse um tempo com tranquilidade para retornar a modalidade sem ter que pular etapas”, concluiu.







