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Jack Warner admite suborno para apoiar Blatter em 1998

Dirigente da Concacaf disse que recebeu dinheiro para votar no suíço

Por Da Redação - 26 Apr 2013, 15h49

O ex-presidente da Concacaf Jack Warner reconheceu nesta sexta-feira que a Fifa lhe deu 6 milhões de dólares (cerca de 12 milhões de reais) para a construção de um centro de treinamentos em Trinidad e Tobago (seu país natal) em troca de apoio a Joseph Blatter, na primeira eleição do suíço como presidente da Fifa, em 1998. De acordo com o dirigente, o acordo foi costurado pelo brasileiro João Havelange, na época à frente da entidade e que apoiava Blatter, então seu secretário-geral. Com o suborno, Warner conseguiu que todos os seus aliados regionais votassem no cartola suíço. “Blatter jamais teria sido presidente da Fifa sem os 30 votos da Concacaf”, disse Warner, em discurso distribuído nesta sexta-feira. Na época, era prevista uma disputa acirrada pela presidência contra o sueco Lennart Johansson, que era o presidente da Uefa.

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A novidade, neste caso, nem é a denúncia, feita pelo jornalista inglês Andrew Jennings, da BBC, no livro Jogo Sujo: O Mundo Secreto da Fifa, publicado no Brasil em 2011, mas a confissão do dirigente caribenho. Warner passou 28 anos no Comitê Executivo da Fifa e renunciou a todos os postos que ocupava no futebol mundial depois de ter sido acusado de corrupção na tentativa de eleger o catariano Mohamed Bin Hammam, presidente da Confederação Asiática de Futebol, como presidente da Fifa, na eleição realizada em 2011, depois de romper com Blatter. A nova acusação de Warner trata de um centro de treinamento em Trinidad e Tobago, com valor estimado de 22,5 milhões de reais, e que se tornou alvo de uma investigação da Comissão de Ética da Concacaf. O grupo concluiu que o dirigente cometeu fraude enquanto estava à frente da entidade. Warner divulgou nesta sexta cartas que aparentemente apontam que Havelange aceitou transformar em doação o que era antes um empréstimo de 6 milhões de dólares à União Caribenha de Futebol. “Disse a Havelange que, através dele, Blatter conseguiria o respaldo total da Concacaf. Blatter era nesse momento o dirigente da Fifa mais odiado pelas confederações da Europa e da África”, disse Warner.

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A denúncia de Warner é só uma pitada a mais de pimenta no já quente caldeirão político da Fifa, que nesta semana teve um outro ingrediente: a renúncia do presidente da Conmebol, o paraguaio Nicolás Leoz, outro dirigente ligado a Havelange e Blatter que responde a acusações de corrupção – ele teria recebido propinas da ISL, empresa de marketing ligada à Fifa, que quebrou em 2001, e também do Catar, na eleição que definiu o país como sede da Copa do Mundo de 2022. Leoz deixou a Conmebol, cujo novo presidente a partir de terça-feira será o uruguaio Eugenio Figueredo, e também o Comitê Executivo da Fifa, ainda sem sucessor – a entidade já é representada pelo argentino Julio Grondona e pelo brasileiro Marco Polo del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol e vice da CBF.

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(Com Estadão Conteúdo)

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