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Isolado e enfraquecido, Andrés deve deixar cargo na CBF

Anúncio do diretor de seleções ocorre três dias depois da demissão de Mano, sobre a qual Andrés não foi consultado. Raí já é cotado para ser o substituto

Andrés pode dar o troco na dupla Marin e Del Nero em 2014, na próxima eleição para presidente da CBF. O ex-diretor de seleções pode se lançar como candidato de oposição no pleito: “Se sair mesmo, vou tentar uma renovação total”

O diretor de seleções da CBF, Andrés Sanchez, deverá deixar o cargo. A informação foi confirmada pelo próprio dirigente nesta segunda-feira, três dias depois da demissão do técnico da seleção brasileira, Mano Menezes, de quem era muito próximo. Ex-presidente do Corinthians e amigo do ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, Andrés avisou que pretende deixar a função após um ano no cargo. No período, viu seu poder diminuir com a troca de comando na entidade. Acusado de corrupção, Teixeira renunciou ao mandato na CBF em março. Foi substituído por José Maria Marin, que confidenciava a pessoas próximas que não gostava da presença de Andrés na função. Apesar disso, Marin manteve o diretor no cargo, inclusive depois da demissão de Mano. Como a saída do treinador foi decidida sem sua participação – coube ao corintiano apenas a tarefa de informar o técnico sobre a demissão -, a situação do diretor ficou insustentável. Para muitos, foi tudo parte da estratégia de Marin, que já previa que Andrés não aceitaria continuar depois da queda de Mano. Enfraquecido na função e cada vez mais isolado dentro da CBF, o ex-presidente do Corinthians anunciou suas intenções nesta segunda-feira, no Rio de Janeiro, num evento que contou com a participação do próprio Marin. “A tendência é essa mesma. Só falta falar com o presidente, porque quero conversar com ele antes de sair.”

O principal aliado do presidente da CBF nos bastidores, o presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Marco Polo Del Nero, também participaria do seminário, mas cancelou sua presença em função da operação da Polícia Federal que apreendeu documentos e computadores em sua casa, na madrugada desta segunda, em São Paulo. Del Nero, aliás, dizia pela manhã que confiava na permanência de Andrés Sanchez no cargo, garantindo que Marin fez esse pedido ao diretor na sexta-feira. Andrés teria respondido que ficaria “até o fim”. Na noite de domingo, em entrevista à TV Gazeta, o diretor de seleções reiterou que não concordou com a demissão de Mano, mas garantiu que não anunciaria sua demissão. “Eu não sairia neste momento. Tenho outras atribuições além da seleção brasileira principal. Não vou deixar o Brasil na mão”, afirmou, menos de um dia antes de revelar que deixará o cargo. O favorito a sucedê-lo é o ex-jogador Raí, um dos integrantes da seleção campeã mundial em 1994, nome muito admirado por Marin, que é ligado ao São Paulo. O ex-craque Romário, hoje deputado federal, também defendeu a indicação do ex-companheiro de seleção ao cargo. Ao ser questionado sobre o assunto, Andrés disse que o ex-atleta seria um bom substituto caso ele deixasse a CBF.

“Eu não saí da direção ainda. Nem me tiraram. Mas, se escolherem o Raí, estará muito bem escolhido”, disse ele no domingo. Nesta segunda, ele afirmou que Luiz Felipe Scolari já está “apalavrado” com Marin e Del Nero para assumir a seleção em 2013. Enquanto o novo diretor e o novo treinador não são anunciados – Marin voltou a dizer nesta segunda que pretende esperar até janeiro para decidir -, a CBF vive um momento extremamente delicado. Abaixo de Marin, o vice Del Nero lida com a repercussão de seu envolvimento na operação da PF. Com a comissão técnica dissolvida, a seleção brasileira não terá representantes nos eventos técnicos ligados ao sorteio dos grupos da Copa das Confederações, no sábado, em São Paulo. A cúpula da Fifa, incluindo o presidente Joseph Blatter e o secretário-geral Jérôme Valcke, estará na cidade a partir do meio da semana, com uma agenda cheia de compromissos ligados ao ensaio geral da Copa de 2014. Sem Mano, sem Andrés e possivelmente sem Marco Polo Del Nero, Marin poderá ser o único representante da CBF nas reuniões. Andrés pode dar o troco na dupla Marin e Del Nero em 2014, na próxima eleição para presidente da CBF. O ex-diretor de seleções pode se lançar como candidato de oposição no pleito. Questionado sobre o assunto nesta segunda, ele confirmou que pensa em uma possível candidatura: “Se sair mesmo, vou tentar uma renovação total”.

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