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Isinbayeva nega preconceito contra os gays: ‘Fui mal interpretada’

Atleta russa afirma que é contra discriminação de homossexuais - e entrevista em inglês acabou por colocá-la em situação complicada

Um dia após defender a lei antigay aprovada pelo governo da Rússia em junho, a campeã mundial do salto com vara, Yelena Isinbayeva, divulgou um comunicado afirmando ter sido mal interpretada na entrevista de quinta-feira, antes da cerimônia de premiação em que recebeu sua medalha de ouro.

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“O inglês não é a minha primeira língua e acredito ter sido mal interpretada quando falei. Quis dizer que as pessoas devem respeitar as leis de outros países, sobretudo quando estão neles como visitantes. Quero deixar claro que respeito o ponto de vista de meus companheiros atletas e ressaltar de maneira contundente que sou contra a qualquer discriminação contra os gays por causa de sua sexualidade”.

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A lei antigay da Rússia não permite que menores de 18 anos tenham informações sobre a homossexualidade. Além disso, também proíbe a adoção de crianças por casais do mesmo sexo, além de coibir qualquer tipo de manifestação a favor da união de pessoas do mesmo sexo. Qualquer atleta, treinador ou torcedor gay ou defensor dos direitos dos homossexuais, pode ser preso por até 14 dias e, depois, ser expulso do país.

A lei causou protestos durante o Mundial. As suecas Moa Hjelmer e Emma Green-Tregaro chegaram a pintar as unhas com as cores do arco-íris, símbolo homossexual. O americano Nick Symmonds dedicou sua medalha de prata nos 800m livre a seus amigos homossexuais. Na entrevista, Isinbayeva criticou o gesto de Emma Green: “É uma falta de respeito ao nosso país, aos nossos cidadãos, porque somos russos. Talvez sejamos diferentes dos europeus, mas há uma lei e todos devem respeitá-la”.

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Na quinta-feira, a russa disse ainda ser contra a promoção da homossexualidade – o ponto principal da lei, que não permite manifestações públicas em apoio à causa gay. “Não sou contra o livre direito de casa pessoa, mas sou contra a propaganda (homossexual). Apoio o governo.” E foi além: “Nós nos consideramos pessoas normais, dentro do padrão. Vivemos com homens ao lado de mulheres e mulheres ao lado de homens. Tudo deve ser assim, é histórico. Nós nunca tivemos problemas assim na Rússia, e não queremos ter no futuro”.

(Com Estadão Conteúdo)