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Isaquias Queiroz: “Quero ser o maior atleta olímpico do Brasil”

Dono de três medalhas em Olimpíadas, o canoísta de 27 anos vive reta final de preparação para os Jogos de Tóquio

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 11 mar 2021, 14h18 - Publicado em 12 mar 2021, 06h00
NO PÓDIO - Meta: “Quero chegar ao nível de Torben, Robert Scheidt e Cielo” -
NO PÓDIO - Meta: “Quero chegar ao nível de Torben, Robert Scheidt e Cielo” – Reprodução/Instagram

As incertezas sobre os Jogos de Tóquio atrapalham a preparação? O adiamento foi bem frustrante e ainda há quem cogite o cancelamento. Até parei um pouco de ver o noticiário para não perder o foco com tanta coisa ruim. A ausência de torcida será ruim, pois gostaria de levar minha esposa e meu filho, mas acho que será impossível. Vários torneios foram cancelados, talvez eu não possa viajar para o Mundial em maio, o que seria uma grande desvantagem. Com o agravamento da pandemia, tudo é possível, mas tento ser positivo. O objetivo é a medalha.

Em 2016, foram duas pratas e um bronze, mas o ouro não veio. Até hoje isso me tira o sono, ficou entalado na garganta. Para Tóquio, o COI tirou uma prova, então só posso ganhar duas medalhas e, claro, quero dois ouros. Meu objetivo é ser o maior atleta olímpico do Brasil, chegar ao nível de Torben Grael, Robert Scheidt, Cesar Cielo e outros. E depois, quando parar, quero ser treinador e formar campeões.

É verdade que não gosta de ser chamado de baiano? Tenho muito orgulho de ser baiano, amo minha terra, Ubaitaba. O que eu acho chato é quando tratam o nordestino como baiano, pernambucano, enquanto quem é do Sul ou do Sudeste é tratado como “brasileiro”. Eu sou brasileiro, amo o Brasil e nossa bandeira. Teve um campeonato que erraram a grafia do meu nome e ainda me colocaram como atleta da Ucrânia. Fiquei revoltado, não queria entrar na água, arrumei briga.

Ganhou dinheiro com o esporte? Tenho boa situação, com apoio de patrocinadores. Mas não olho tanto para o dinheiro, o que importa é ter uma condição de vida digna.

Em 2018, você perdeu o treinador e mentor, o espanhol Jesus Morlán, vítima de câncer. Como isso o afetou? Senti muito. Jesus era uma pessoa insubstituível. Sabia quando ser duro, era direto e sincero. Certa vez, ele descobriu que nossos salários estavam atrasados e se negou a dar treino enquanto não nos pagassem. Meu atual técnico, Lauro de Souza, foi seu aprendiz. Nosso obje­tivo é ganhar uma medalha, que seria a décima do Jesus em Olimpíadas. Queremos o ouro por nós e por ele.

Publicado em VEJA de 17 de março de 2021, edição nº 2729

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