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Isabel Clark se despede do snowboard olímpico sem sucessora

Dona do melhor resultado do Brasil na história dos Jogos Olímpicos de Inverno, atleta carioca teme pela falta de atletas na modalidade

Em sete participações do Brasil nas Olimpíadas de Inverno, nenhum atleta conseguiu um feito mais importante que o da carioca Isabel Clark. Em Turim-2006, ela surpreendeu ao terminar em 9º lugar no snowboard feminino. Para um país tropical e sem nenhuma tradição nos esportes de inverno, um resultado espetacular. Doze anos depois, às vésperas de disputar sua quarta campanha olímpica e já tendo anunciado a aposentadoria após os Jogos de PyeongChang, Isabel está preocupada com a renovação na modalidade.

“Após Turim, a equipe chegou a aumentar, mas foi difícil manter os atletas na equipe e conseguir classificação para as principais competições, especialmente olimpíada. Diminuiu o número de atletas e isso não é bom para o esporte”, diz Isabel, de 41 anos, que iniciou sua carreira no snowboard aos 17.

Assim que encerrar sua participação na Coreia, haverá um problema para encontrar uma sucessora. “Hoje não há outra brasileira competindo em alto nível. A Nathali Oliani tentava participar de etapas da Copa do Mundo, mas não tinha experiência para encarar estas pistas. E, sem disputar estas provas, não dá para chegar à Olimpíada. Temos de criar uma cultura no nosso esporte, investir no desenvolvimento do snowboard e assim formar atletas”, diz Isabel.

A modalidade

O snowboard é um dos esportes mais novos dentro do programa esportivo da Olimpíada de Inverno. Da linha dos modalidades radicais, estreou nos Jogos de Nagano, no Japão, em 1998. Os atletas descem em pistas de neve com os pés fixados em pranchas, usando técnicas de esqui, skate e surfe.

Nas provas de estilo livre, o slopestyle e o halfpipe, as pranchas são curtas e flexíveis. Nas provas de velocidade, como o big air, slalom especial paralelo e o snowboard cross (prova na qual compete Isabel Clark), são utilizadas pranchas mais longas, estreitas e rígidas.

A snowboarder Isabel Clark, durante treino antes das Olimpíadas de Inverno de Pyeongchang-2018

A snowboarder Isabel Clark, durante treino antes das Olimpíadas de Inverno de Pyeongchang-2018 (CBDN/Divulgação)

A preparação

A preparação de Isabel para sua última participação em Jogos Olímpicos foi longe da ideal. Ela sofreu um acidente no final de dezembro, durante uma etapa da Copa do Mundo em Cervina, na Itália, e bateu a cabeça no chão. Foi levada de helicóptero para um hospital, onde se constatou uma lesão cervical.

Fora de duas etapas da Copa do Mundo, que não afetaram sua qualificação olímpica, a brasileira ficou no Rio de Janeiro cuidando de sua recuperação e fazendo treinos de skate, que simulam alguns movimentos do snowboard.

O calendário

O primeiro contato de Isabel Clark com a pista no Phoenix Snow Park será no dia 12, quando os treinos estarão liberados para os atletas do snowboard cross. Os treinos oficiais estão marcados para 13 e 14 de fevereiro. As qualificatórias e disputa de medalha acontecerão no dia 16.