Investigação confirma corrupção em eleição do Catar-2022

A escolha da sede do Mundial teve compra de votos, diz relatório, que também pede punição a cartolas envolvidos. Um deles seria brasileiro Ricardo Teixeira

Por Da Redação - 5 set 2014, 13h14

O documento ainda reforça um pedido feito por várias federações importantes: seria indispensável realizar uma transformação radical no processo de seleção das sedes de Copas

Depois de mais de um ano de investigações e de reunir cerca de 200.000 páginas de evidências, o processo na Fifa sobre a compra de votos para sediar a Copa do Mundo de 2022, no Catar, concluiu que cartolas agiram de forma ilegal no processo e pediu que medidas punitivas sejam tomadas contra “certas pessoas”. O documento também pede uma mudança no sistema de escolha das sedes dos Mundiais, mas não fala tirar a Copa de 2022 do Catar. O informe está sendo mantido em sigilo e os nomes dos envolvidos não foram divulgados. De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, o brasileiro Ricardo Teixeira está entre os nomes citados na conclusão da investigação. O ex-presidente da CBF votou pelo Catar. Membro do Comitê Executivo da Fifa até 2012, ele era o presidente do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014 na época da eleição.

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O investigador apontado pela Fifa para apurar o caso, o americano Michael Garcia, entregou seu relatório à secretaria da entidade, nesta sexta-feira, em Zurique. Ele entrevistou 75 pessoas sobre a concorrência para sediar as Copas de 2018 e 2022. O resumo do processo tem 350 páginas, baseadas nas mais de 200.000 que foram coletadas na apuração. O informe está sendo mantido em total sigilo, mas Garcia, em um comunicado, indicou que recomenda que ações sejam tomadas “contra determinados indivíduos”. Pessoas envolvidas com o processo indicaram à reportagem do Estado que a constatação é de que, de fato, cartolas receberam diversos benefícios por dar seu voto a um ou outro país (a Rússia foi a vencedora da eleição a sede de 2018, mas não se sabe se há referências a compra de voto nesse processo).

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No caso da América do Sul, os três cartolas que votaram pelo Catar já não estão mais na Fifa: Ricardo Teixeira se exilou nos Estados Unidos, o paraguaio Nicolas Leoz pediu demissão e o argentino Julio Grondona morreu no mês passado. Mesmo assim, uma decisão da Fifa de condenar Teixeira o impediria de voltar eventualmente ao futebol e suspenderia a aposentadoria que ele ainda recebe da entidade. O documento ainda reforça um pedido feito por várias federações importantes: seria indispensável realizar uma transformação radical no processo de seleção das sedes de Copas. Os Estados Unidos, por exemplo, já indicaram que só vão se lançar como candidatos para receber a Copa de 2026 se a Fifa mudar a forma como a escolha é feita. Para muitos, a comprovação de compra de votos na vitória do Catar deveria significar uma mudança de sede. A declaração emitida pela Fifa sobre o assunto não explica, porém, se Garcia recomendou essa medida.

A partir de agora, o juiz do Comitê de Ética da Fifa, Joachim Eckert, vai avaliar o informe e impor eventuais sanções. Mas o próprio presidente da Fifa, Joseph Blatter, já alertou que apenas os cartolas do Comitê Executivo da entidade poderão retirar a Copa do Catar ou da Rússia. Hoje, o representante brasileiro no órgão é Marco Polo Del Nero, presidente eleito da CBF. Nos últimos meses, Blatter vem dando sinais de que quer usar a repercussão dos problemas envolvendo o Catar-2022 para se eleger em 2015 para mais um mandato no comando da Fifa. No início do ano, ele chegou a dizer que a escolha do Catar foi “um erro”. Em 2010, quando o país foi escolhido para receber o Mundial, Blatter chegou a se opor à candidatura. Muitos enxergam também a influência do assunto na desistência de Michel Platini, presidente da Uefa, de concorrer ao comando da Fifa no ano que vem. O francês foi um dos que votou pelo Catar e anunciou seu voto.

(Com Estadão Conteúdo)

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