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Insatisfeitos, astros do futebol uruguaio desafiam federação

Liderados por Godín e Suárez, atletas contestam acordo entre federação e empresa de comunicação, após negociação frustrada com a Nike

Por da redação 28 out 2016, 12h06

Em uma atitude exemplar, os jogadores da seleção uruguaia vêm travando, há alguns meses, uma batalha contra a própria federação do país. Liderado pelo capitão Diego Godín e pelo craque Luis Suárez, o grupo condena os acordos de patrocínio feitos pela Associação Uruguaia de Futebol (AUF) e exige mudanças. A confusão teve início quando a Nike ofereceu uma proposta cinco vezes maior que a da Puma, atual fornecedora de material esportivo da seleção, para vestir a equipe celeste. Influenciada pela empresa de comunicação Tenfield, intermediária das negociações com a Puma, a federação recusou a proposta da marca americana, causando a revolta dos atletas.

No início do mês, a AUF anunciou a renovação de contrato com a Puma, alegando que a marca alemã igualou a proposta da Nike. Os números não foram divulgados, mas a imprensa local fala em 24,5 milhões de dólares (cerca de 76 milhões de reais) anuais. A notícia, no entanto, não convenceu os atletas. Nesta quinta-feira, Godín, Suárez, Edinson Cavani e outros atletas enviaram um comunicado oficial protestando contra o acordo e proibindo a Tenfield de explorar seus direitos de imagem. “Nosso futebol uruguaio está cada dia mais pobre e necessitado de recursos. Os jogadores locais são os protagonistas desse esporte e, no entanto, são os que mais sofrem com a situação”, diz um dos trechos.

O caso é mais um exemplo da politicagem que domina o futebol sul-americano. Os contratos são semelhantes aos que a CBF manteve com a Traffic, empresa de J. Hawilla, um dos delatores do escândalo da Fifa, no passado. Parceira da AUF desde 1998, a empresa uruguaia Tenfield pertence a um agente de futebol chamado Paco Casal e tem como um dos sócios Enzo Francescoli, ídolo do futebol uruguaio nas décadas de 80 e 90. É ela quem negocia os direitos de transmissão do campeonato nacional e os patrocínios à seleção celeste.

Isso explica por que os clubes do país, que dependem do precioso dinheiro de TV para se sustentar, sempre se posicionaram a favor do acordo entre a AUF e a Tenfield, inclusive neste caso da concorrência entre Nike e Puma. Os atletas, no entanto, não se calaram. “Temos a mais absoluta convicção de que, até agora, e contra todo critério racional e justo, a empresa intermediária Tenfield teve o monopólio da exploração de todos os ativos pertencentes à AUF, e não permitiremos que essa situação volte a acontecer sem nos posicionarmos”, escreveram os jogadores nesta quinta, liderados por Godín.

Uma fato em especial torna a atitude de Godín ainda mais nobre: o ídolo do Atlético de Madri é patrocinado justamente pela Puma, a empresa que sairia prejudicada num possível acordo entre AUF e Nike. Já Suárez é garoto-propaganda da Adidas, maior concorrente da Nike. “Acreditamos que o patrimônio da Celeste tenha que ser vendido diretamente às marcas finais para obter a maior renda possível e gerar os recursos que nosso futebol merece”, diz outro trecho.  Além de proibir a exploração de suas imagens, os atletas exigiram uma reforma no estatuto da federação.

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