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Indy em SP: Kanaan chora – e zebra canadense faz a festa

Brasileiro não quis culpar time por abandono. Hinchcliffe não esperava vitória

Por Davi Correia - 5 May 2013, 16h56

“A ultrapassagem do James Hinchcliffe foi fantástica”, disse Takuma Sato, superado pelo canadense na última curva. “As últimas cinco voltas foram divertidas”

O piloto brasileiro Tony Kanaan chegou a acreditar que enfim conseguiria vencer uma prova importantge diante da torcida brasileira neste domingo, na quarta edição da São Paulo Indy 300, no Sambódromo do Anhembi. O público que lotou as arquibancadas do circuito de rua também apostou num triunfo de Kanaan quando ele assumiu a liderança da prova. O brasileiro, porém, foi traído por um erro da sua equipe, a KV Racing, e acabou sendo obrigado a abandonar a prova depois de sofrer uma pane seca. Depois da falta de combustível, vieram as lágrimas. Em conversa com os jornalistas – já com a mão enfaixada, por causa de uma fratura sofrida antes da prova -Kanaan estava mais tranquilo, mas custava a se conformar com o erro de estratégia de seu time. “Eu tive vinte voltas fora da corrida para pensar no que ocorreu e chorar. Mas essas coisas acontecem quando se trabalha em equipe”, afirmou. Kanaan fez questão de defender seus companheiros na KV Racing, deixando claro que nem passa por sua cabeça culpar um deles pela derrota em São Paulo. “A pessoa que planejou minha estratégia é a responsável por doze das quinze vitórias que eu tenho na Indy”, lembrou.

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O vencedor da prova, o canadense James Hinchcliffe, comemorou muito o resultado – e confessou em sua entrevista coletiva que não acreditava na possibilidade de vitória em São Paulo. O canadense também afirmou ser fã de Ayrton Senna – ainda que não o conhecesse quando o brasileiro morreu, num acidente ocorrido há 19 anos. “Eu era muito jovem quando ele morreu, em 1994, mas lembro que aquilo repercutiu muito no Canadá”, disse Hinchcliffe, de 26 anos. “Quando aconteceu, não sabia quem era aquele cara, mas virei fã quando passei a gostar de corridas. “Qualquer piloto respeita o Ayrton Senna.” Hinchcliffe executou uma manobra digna dos melhores momentos do tricampeão mundial de Fórmula 1 para vencer no Anhembi. Depois de várias voltas de perseguição implacável ao então líder da prova, o japonês Takuma Sato, o canadense ultrapassou o adversário apenas na última curva, com um movimento ousado e preciso. Sato – que antes da prova tinha ganhado de presente uma camisa do Corinthians autografada pelos jogadores da equipe paulista – lamentou o desfecho da briga, mas aplaudiu o oponente, reconhecendo sua habilidade.

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“A ultrapassagem do James Hinchcliffe foi fantástica”, disse Sato, satisfeito com o desempenho em São Paulo mesmo com algumas dificuldades na parte final da corrida. “Estava com problemas na aderência dos pneus durante as últimas voltas. Também senti uma deficiência nos freios. As últimas cinco voltas foram divertidas. É uma pena perder na última volta, mas isso é o que pode acontecer quando se trava uma briga tão competitiva”. No geral, os pilotos que participaram da prova aprovaram as adaptações feitas no circuito de rua. O novo desenho da pista cumpriu seu objetivo e deu mais competitividade à corrida, que também foi marcada pelos frequentes toques entre os carros e abandonos por colisão, comuns nas provas da categoria. Com os brasileiros longe da briga pelo primeiro lugar e Will Powell, três vezes vencedor da corrida, fora da disputa, a festa no pódio reuniu os pouco cotados Hinchcliffe, Sato e Marco Andretti, o terceiro colocado. Entre os brasileiros, Helio Castroneves foi o melhor, na décima terceira posição. A também brasileira Bia Figueiredo foi a primeira a abandonar a prova, por problemas na caixa de câmbio. Depois das 75 voltas, seis pilotos não completaram a corrida.

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