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Imagem da semana: TV Brasil, seleção e recorde de audiência

A Confederação Brasileira de Futebol decidiu adquirir a transmissão e repassá-la à emissora estatal

Por Luiz Felipe Castro - Atualizado em 15 out 2020, 13h08 - Publicado em 16 out 2020, 06h00

“Um abraço especial para o presidente Jair Bolsonaro, que está assistindo ao jogo”, exclamou André Marques, o narrador da TV Brasil, durante a partida entre as seleções de Brasil e Peru, em Lima, pelas Eliminatórias da Copa de 2022, na última terça-feira, 13. O inusitado afago — dá para imaginar a rede pública britânica BBC enviando saudações ao primeiro-ministro Boris Johnson? — só foi possível graças a uma tabelinha entre o governo e a cartolagem. Horas antes do duelo, diante da ausência de acordo entre a Globo e a Mediapro, detentora dos direitos de transmissão, a Confederação Brasileira de Futebol decidiu adquirir o produto e repassá-lo à TV estatal. A CBF tratou a medida como emergencial, para não deixar a seleção “no escuro”. Ironicamente, o próprio Bolsonaro disse, durante a campanha e depois de eleito, que extinguiria ou privatizaria a estatal, tratada na ocasião como “TV do Lula” e que “só dá traço”. Com a seleção, a TV Brasil alcançou seu recorde de audiência na Região Sudeste e chegou a brigar pelo terceiro lugar com o SBT. Em campo, os abraços foram para Neymar. Autor de três gols na vitória por 4 a 2, ele chegou a 64 tentos pela seleção, ultrapassando os 62 de Ronaldo — a quem homenageou imitando as celebrações do “Fenômeno” — e ficando a treze do recorde de Pelé. Os peruanos reclamaram da arbitragem, enquanto, para a TV Brasil, as decisões a favor do Brasil foram corretas. O tom ufanista, afinal, não foi tão diferente daquele que consagrou o narrador Galvão Bueno na tela da Globo.

Publicado em VEJA de 21 de outubro de 2020, edição nº 2709

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