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Ídolos da cidade de Campinas torcem pela paz no centenário do dérbi

O dérbi entre Ponte Preta e Guarani vem carregado de história e tradição, mas também é marcado pela violência entre as torcidas rivais. Os frequentes confrontos entre as organizadas de Campinas afastaram grande parte das famílias que compareciam ao duelo e provocaram o medo e apreensão em todos que já compraram seus ingressos para o duelo deste sábado.

No dia que o clássico mais antigo do Estado de São Paulo completará exatos cem anos, a tensão vivida pela cidade de Campinas atingiu níveis alarmantes com a morte do torcedor bugrino Anderson Ferreira, de 28 anos. A briga entre facções rivais ocorreu após uma partida entre as categorias sub-15 e sub-17 dos dois clubes, quando os presentes se encaminhavam para as sedes de suas respectivas torcidas.

O incidente fez a Federação Paulista de Futebol tomar medidas drásticas e proibir a entrada de uniformizadas no clássico deste final de semana. Além disso, as diretorias de Ponte Preta e Guarani também entraram em um consenso e decidiram pela adoção do dérbi com torcida única depois deste sábado.A medida foi recebida com pesar pelo ex-jogador Odirlei, que atuou na Ponte Preta na década de 70 e 80 e foi responsável por anotar o gol da vitória da Macaca sobre o Bugre, no final do primeiro turno do Paulista de 1981. Entristecido com o modo como o clássico foi conduzido pelos torcedores, o ex-lateral esquerdo lembrou com saudade dos dias que antecediam os dérbis na sua época como profissional.

‘A torcida tem que entender que o nosso problema é nas arquibancadas. Dentro de campo, um profissional respeita o outro. Eu dei um passeio por Campinas e vi apenas uma camisa da Ponte Preta. Todos têm medo de sair na rua e mostrar o time que torcem. No meu tempo, a gente cruzava a cidade e era praticamente impossível ver alguém sem a camisa do clube’, lamentou o ex-atleta alvinegro, em entrevista à Gazeta Esportiva.Net.

Assim como Odirlei, o ex-jogador Careca também mostrou a sua preocupação com a crescente violência nos clássicos realizados em Campinas. O ídolo de Guarani, São Paulo e da Seleção Brasileira fez um pedido encarecido aos torcedores das duas equipes e pediu para que a rivalidade seja demonstrada apenas pelos atletas que entrarão em campo.

‘Dérbi é sempre uma data que marca bastante. Quem vai fazer o primeiro gol ou quem vai jogar bem. Eu tenho certeza que esse é o momento das equipes atingirem seu objetivo no Paulista. Será um jogo atípico, com maioria de torcedores da Ponte, mas que terá de ser resolvido dentro de campo. A gente espera muitas emoções e uma partida livre de qualquer confusão nas arquibancadas’, acrescentou Careca.

Na última quinta-feira, torcedores de Guarani e Ponte Preta se reuniram em uma praça, no centro de Campinas, para pregarem a paz nos estádios. Os torcedores se confraternizaram e levaram faixas clamando por um jogo livre de qualquer briga. Além disso, a Polícia Militar também montou um forte esquema de segurança e comparecerá em peso ao duelo deste sábado, marcado para as 18h30 (de Brasília), no Moisés Lucarelli.

PÊNALTI E ABANDONO DE CAMPO OCASIONARAM A PRIMEIRA BRIGA DE TORCIDAS NO DÉRBI

A primeira briga conhecida entre jogadores e torcidas de Ponte Preta e Guarani ocorreu no dia 21 de maio de 1916. A Macaca perdia o dérbi por 1 a 0 quando o árbitro da partida marcou um pênalti para o Bugre. Revoltados com a decisão, os alvinegros deixaram o campo e permitiram que o jogador rival cobrasse a penalidade sem o goleiro na meta.

A postura da Ponte Preta em abandonar o local gerou a revolta da torcida que compareceu ao Hipódromo – local onde as equipes se enfrentavam nos primeiros anos do confronto. As famílias presentes voltaram para suas casas, enquanto os jogadores discutiam no gramado.

No embalo dos times, os torcedores também passaram a trocar agressões verbais. Os xingamentos logo evoluíram para socos e pontapés entre os atletas, motivando o público a adotar a mesma conduta lamentável daqueles que atuavam pelos clubes de Campinas.