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Ídolo búlgaro Stoichkov chora ao comentar atos racistas no país

Ex-jogador cobrou punição rigorosa aos torcedores, enquanto Balakov, seu ex-companheiro e atual treinador da seleção, minimizou o ocorrido

Por Estadão Conteúdo - Atualizado em 17 out 2019, 11h28 - Publicado em 16 out 2019, 13h32

Os atos de racismo protagonizados por torcedores búlgaros durante goleada da Inglaterra, em Sófia, na última segunda-feira 14, seguem causando grande repercussão na Europa. O ex-jogador e hoje comentarista Hristo Stoichkov, destaque da Copa de 1994 e um dos maiores ídolos do país, chorou ao lamentar os episódios.

“É preciso ser rigoroso. Estes torcedores devem ser proibidos de voltar ao estádio, como na Inglaterra, cinco anos sem participar de um jogo. As pessoas não merecem sofrer. Acha que me sinto cômodo com isso?”, afirmou o ex-jogador do Barcelona, no momento em que não conseguiu conter as lágrimas, no programa Tudn, do México.

Postura diferente teve o ex-companheiro de Stoichkov na seleção, Krasimir Balakov, atual técnico da Bulgária. Questionado após a partida sobre os gestos racistas e nazistas flagrados pela transmissão, Balakov se fez de desentendido. “Pessoalmente, não ouvi nada. Vi que o árbitro parou o jogo, mas também por causa do comportamento dos ingleses, que vaiaram o hino nacional búlgaro. No segundo tempo, eles usaram palavras inaceitáveis”, afirmou o técnico.

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Bastante criticado, Balakov mudou o tom nesta quarta-feira, 16, e pediu desculpas. “Condeno fortemente e rejeito o racismo como forma de conduta que é contraditória às relações humanas na modernidade. Este é um preconceito que vem do passado e precisa ser erradicado para sempre.”

Prisões – A polícia da Bulgária prendeu nesta quarta seis torcedores acusados de racismo durante a partida válida pelas Eliminatórias da Eurocopa-2020, vencida pela Inglaterra por 6 a 0.

“Seis pessoas foram presas durante a operação da polícia de Sofia depois que foi apurado que eles eram alguns dos perpetradores dos atos de desordem”, anunciou o Ministério do Interior da Bulgária, em comunicado. “Dos 15 torcedores identificados, nove já contam com informações obtidas pela polícia, incluindo reconhecimento facial.”

De acordo com o ministério, as evidências coletadas na apuração serão encaminhadas à Promotoria de Sofia. “Não toleramos este tipo de comportamento. Todos que violarem a ordem pública serão investigados, alguns já foram presos e ações serão tomadas contra todos”, disse Georgi Hadzhiev, comissário sênior do departamento de polícia da capital búlgara.

Durante a primeira paralisação, o locutor advertiu que a partida poderia ser encerrada se os abusos racistas não parassem, cumprindo o primeiro passo do protocolo antirracismo da Uefa. Durante a segunda pausa, dezenas de torcedores da Bulgária responsáveis pelos cânticos saíram do estádio.

Os atos racistas foram condenados por políticos e dirigentes esportivos da Inglaterra e até pelo primeiro-ministro da Bulgária, Boyko Borisov, que pediu a demissão do presidente da Federação de Futebol da Bulgária. Pressionado, Borislav Mihailov anunciou sua renúncia ao cargo na terça-feira.

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