Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Holanda ou Chile?

O melhor adversário para o Brasil nas oitavas é o velho freguês Chile, certo? Quem viu a vitória deles sobre a Espanha no Maracanã não tem essa convicção

Por Sérgio Xavier 21 jun 2014, 09h40

“Os chilenos são mesmo fregueses dos brasileiros. Mas isso é passado. No presente, oferecem mais riscos que os laranjinhas”

No princípio, era uma barbada. Quem preferimos encarar na partida de oitavas de final? A campeã do mundo Espanha, nossa pedra no sapato Holanda ou o velho freguesão Chile? Sim, antes de a Copa começar, assim analisávamos nossos potenciais rivais da segunda fase. A escolha final não parecia complicada.

Só que o futebol manda para escanteio os conceitos com uma rapidez desconcertante.

Leia também:

Chile elimina Espanha da Copa com vitória no Maracanã

Continua após a publicidade

Holanda leva susto, mas vence Austrália por 3 a 2 no RS

A Espanha não existe mais. Foi a segunda seleção do Mundial a ser matematicamente eliminada. Ficamos com Holanda ou Chile, um dos dois será o rival do Brasil na próxima fase. Supondo que o Brasil fique em primeiro do grupo, afinal pega o deteriorado time de Camarões na segunda-feira, o adversário será mesmo o segundo colocado do Grupo B. A Holanda só precisa de um empate contra o Chile para ficar em primeiro e escapar do Brasil. Mas não será surpresa se o Chile vencer a partida e empurrar a Holanda para a segunda posição e, consequentemente, para o confronto conosco.

Quem preferimos? Antes de a bola rolar, resposta fácil: Chile. Quem viu no Maracanã a vitória chilena que eliminou a Espanha não tem a mesma convicção. A Holanda fez um segundo tempo de gala contra os espanhóis em Salvador e enfiou surpreendentes 5 x 1 na estreia. Em compensação, precisou parir um bezerro para vencer a fraca Austrália em Porto Alegre. De qual Holanda estamos mesmo falando? O jogo deles parece sempre incomodar times brasileiros. Sete jogadores brigam pela bola para entregá-la aos rápidos e habilidosos Robben, Van Persie e Sneijder. Um esquema meio maluco, o 7 por 3. Sete correm para que três brilhem. Sem falar da maldita bola alta que nos açoita nos últimos tempos.

Já o Chile é uma correria só. Alguns velocistas habilidosos como Alexis Sánchez e Vargas, além de jogadores inteligentes como Aránguiz e Vidal, que organizam o time do meio para a frente. Correria e marcação. Raça e organização. Sim, o Chile está longe de ser uma equipe destrambelhada. Como apregoava aquela propaganda de pneus, “potência não é nada sem controle”. É aí que entra em cena um argentino inquieto. Jorge Sampaoli parece um doidão com síndrome de abstinência no banco de reservas. Anda de um lado para o outro. Seu olhar arregalado assusta, parece que está possuído. Não dá a menor pinta de que esteja capacitado para organizar um time de futebol. Só que por trás de todo esse nervosismo se esconde um organizador. Meticuloso. E ambicioso. Não aceitou o destino reservado às seleções latino-americanas de segundo escalão, que é se defender e aguardar pela providência divina em um eventual contra-ataque. Não. Sampaoli montou o Chile como time grande. Pressiona a marcação adversária e ataca com muitos jogadores. Algum desavisado que não soubesse quem era quem no Maracanã diria que os campeões do mundo eram os chilenos na última quarta-feira. A Espanha foi quem se apequenou diante da pressão inicial dos rapazes de Sampaoli.

Isso sem contar o fator torcida. Como tem chileno zanzando pelo Brasil! Na buena? Apesar de Robben e da eliminação na Copa passada, talvez seja melhor encarar os holandeses agora. Os chilenos são mesmo fregueses dos brasileiros em Copas, tomaram umas sapatadas nos Mundiais de 1998 e 2010. Fora goleadas em Copas América e amistosos. Só que isso é passado. No presente, o Chile oferece mais riscos do que os laranjinhas. Aguardemos o que o destino nos reserva.

FAÇA O DOWNLOAD DAS EDIÇÕES DIÁRIAS​ – Até 14 de julho, na segunda-feira seguinte à final, VEJA e PLACAR lançarão edições eletrônicas diárias (serão 34!). Sempre às 7 da manhã, grátis. Para quem já é assinante de VEJA para tablets e iPhone, nada muda. Para os outros, basta baixar o aplicativo de VEJA ou acessar o IBA, a banca digital da Editora Abril.

Continua após a publicidade
Publicidade