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Hamilton defende corrida em São Paulo: ‘Não precisamos derrubar árvores’

Hexacampeão mundial não vê razão para construção de nova pista para a realização da Fórmula 1 no país; ideia havia sido encampada pelo presidente Bolsonaro

Por Estadão Conteúdo - Atualizado em 13 nov 2019, 16h00 - Publicado em 13 nov 2019, 15h06

Prestes a pilotar novamente no Autódromo de Interlagos, o inglês Lewis Hamilton defendeu nesta quarta-feira a permanência do GP do Brasil de Fórmula 1 em São Paulo. Surpreso com a possibilidade de a corrida ser transferida para o Rio de Janeiro em 2021, o hexacampeão disse ser contra a mudança porque envolveria a derrubada de árvores, na Floresta do Camboatá, em Deodoro.

“É a primeira vez que ouvi sobre a corrida no Rio. Eu acho, honestamente, que tem muito dinheiro envolvido na construção destes circuitos. Já temos um circuito histórico aqui, não precisa derrubar árvores, destruir mais território”, afirmou o piloto da Mercedes, nesta quarta, em São Paulo, às vésperas da penúltima etapa da temporada na Fórmula 1.

Vegano, Hamilton passou a adotar nos últimos meses uma postura mais preocupada com o meio ambiente. Ele até vendeu seu avião e decidiu proibir o uso de plásticos em seu escritório e em sua casa. Espera, até o fim do ano, neutralizar todas as suas emissões de carbono, apesar de exercer a função de piloto de uma das categorias mais poluentes do automobilismo mundial.

Na sua avaliação, derrubar árvores para construir o autódromo do Rio, em Deodoro, não faria sentido. “Para fazer o circuito, vão ter que derrubar árvores? Não aprovo isso. Temos um país muito bonito aqui, uma floresta importante para o nosso futuro. Temos que focar mais no meio ambiente.”

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O projeto do autódromo do Rio, cuja construção ainda não teve início, prevê apenas o uso de dinheiro privado. Mesmo assim, Hamilton criticou o investimento. “Acho que o dinheiro pode ir para algo melhor, tem coisa que o governo pode investir nas cidades. Tem muito talento e muita gente boa aqui. Se fosse meu dinheiro, colocaria em coisa melhor. Educação é muito importante”, destacou.

Para Hamilton, fã declarado de Ayrton Senna, Interlagos tem importância histórica para a Fórmula 1. “Adoro a pista de Interlagos. Sou das antigas e acho que sempre temos que garantir a manutenção dos clássicos, e esse é um dos clássicos. Não sou um grande fã de mudanças, porém sei que o Rio é uma cidade fantástica. Já fui lá uma vez e foi fantástico. Se mudarem a corrida, não terá a mesma história de Interlagos. Lembro do Ayrton Senna e dos videogames ao pilotar nesta pista, espero que continue assim.”

Após conquistar por antecipação o seu sexto título da F1, na etapa passada, nos Estados Unidos, Hamilton tem poucas ambições no GP do Brasil deste ano. Atual vencedor da prova, ele busca a terceira vitória em solo brasileiro.

O britânico e os demais pilotos da F1 vão para a pista pela primeira vez neste fim de semana às 11 horas desta sexta-feira, para o primeiro treino livre. O segundo começará às 15 horas. No sábado, a terceira e última sessão livre terá início às 12h e o treino classificatório, às 15h. A corrida está marcada para as 14h10 de domingo.

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