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Há exatos 55 anos, Muhammad Ali nocauteava Liston com um ‘golpe fantasma’

Encerrada sob vaias, a luta consolidou-se como uma das mais controversas da história do boxe (e rendeu uma das mais espetaculares fotografias do Século XX)

Por Danilo Monteiro Atualizado em 25 Maio 2020, 19h54 - Publicado em 25 Maio 2020, 19h36

No dia 25 de março de 1965, há exatos 55 anos, Muhammad Ali (ainda chamado por muitos ainda pelo nome de batismo, Cassius Clay), nocauteava Sonny Liston em uma das lutas mais controversas da história do boxe. O embate na cidade de Lewiston, no estado americano do Maine, terminou em menos de dois minutos, logo após Ali acertar um golpe de direita em cheio no queixo de Liston, que quase ninguém viu.

O “golpe fantasma”, como ficou conhecido, levou Liston à lona com cerca de um minuto e 44 segundos do primeiro round, enquanto Ali esbravejava com ele, pedindo para se levantar e lutar mais. O árbitro da luta, Jersey Joe Walcott, tentou segurar Ali e esqueceu de contar os 10 segundos que Liston tinha para se levantar. Walcott, então, foi às cordas pedir ajuda da mesa e não viu Liston levantar e a luta recomeçar. Ali o encurralou até o juiz reaparecer e interromper o embate.

Somente algumas pessoas que estavam próximas ao ringue puderam ver Ali desviando de um golpe de esquerda e contra-atacando rapidamente com um pesado soco de direita. Sem entender, o público se revoltou, vaiou e gritou que o resultado era falso. A maioria das pessoas que ali estavam só puderam ver o golpe de Ali em casa, pela televisão – e mesmo assim com dificuldade pela rapidez do movimento e ângulo da câmera.

  • “Levante-se e lute, otário!”, teria gritado ao oponente caído no ringue. O fotógrafo da publicação americana Sports Illustrated Neil Leifer, autor do clique espetacular, disse como fez uma das imagens mais icônicas do Século XX, dentro ou fora do esporte. “Claro que estava no assento correto, mas o que importa é que não vacilei”, revelou Leifer, anos depois, à revista Time. Além de pôsteres e fundo de tela de celular, a foto virou até camiseta, comercializada pela rede de fast fashion Urban Outfitters.

    O clima de tensão vivido pelos lutadores à época era um dos motivos para o surgimento das mais variadas teorias da conspiração. Dentre as mais polêmicas, estão as supostas ameaças de morte a Liston feitas por membros da Nação do Islã, grupo político e religioso do qual Ali fazia parte, e que Liston devia dinheiro à máfia e precisou entregar a luta para não morrer.

    O combate ocorreu meses depois do assassinato de Malcolm X, ativista do nacionalismo negro, que havia deixado a Nação do Islã, liderada por Elijah Muhammad, e se tornado seu principal crítico – o que motivou membros da Nação a assassiná-lo. Ali passou a ignorar Malcolm depois de sua saída e foi ameaçado de morte, precisando da segurança de 12 agentes do FBI 24 horas por dia até a luta contra Liston.

    Após o triunfo, Cassius Clay adotou o nome islâmico de Muhammad Ali e seu desempenho quase impecável pôs um fim às desconfianças da luta contra Liston. Com estilo veloz e inovador ao se movimentar dentro do ringue, Ali terminou a carreira em 1981, aos 39 anos, com um cartel de 54 vitórias e apenas cinco derrotas.

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