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Grandes estrelas da Olimpíada serão atletas veteranos

Os Jogos do Rio serão diferentes dos outros, por contar com tantos veteranos prontos para ocupar o pódio. O que soa como coisa velha pode virar um momento histórico

A informação de que Usain Bolt sentira fortes dores na coxa logo depois de sua primeira prova dos 100 metros disputada em 2016, nas Ilhas Cayman, caiu como uma bomba de decepção para quem já vive a Olimpíada do Rio. Mas não, foi alarme falso. O homem mais rápido do mundo voltou às pistas na República Checa, dias depois, e bem. Cravou 9s98, o sexto melhor tempo do ano na modalidade.

Se vencer os 100 metros no Rio, Bolt será o segundo mais velho corredor a cruzar na frente a linha de chegada da prova mais nobre do atletismo. O jamaicano tem 29 anos. Linford Christie tinha 32 anos quando levou os 100 metros nos Jogos de 1992, em Barcelona. Bolt e outro mito, o nadador Michael Phelps, que terá 31 anos recém-completados, são os pilares de uma Olimpíada diferente de todas as outras – as grandes estrelas serão veteranos campeões. Não há um destaque jovem incontornável, como foram os próprios Bolt e Phelps em 2008. Há um certo travo de repetição, de déjà-vu, de coisa antiga, mas não nos enganemos: as medalhas dos dois, que só não virão em caso de catástrofe, contarão um novíssimo e espetacular capítulo da história do esporte.

Bolt, dono de seis medalhas de ouro – duas vezes nos 100 metros, duas vezes nos 200 metros e duas vezes no revezamento 4 x 100 -, chegará ao Brasil como favorito nos 200 metros e no revezamento. Nos 100 metros, apontam especialistas, terá de superar o americano Justin Gatlin, outro veterano que tem voado baixo. Phelps, o maior medalhista da história (22 pódios, sendo dezoito de ouro), nadará em águas cariocas com chance de vencer quatro provas, os 100 metros e os 200 metros borboleta, 200 metros medley e o revezamento 4 x 100 medley.

Phelps é um caso extraordinário. Ele havia se aposentado logo depois dos Jogos de Londres, em 2012. “Sem volta, acabou”, disse ele à época. Em 2014, foi preso por dirigir embriagado e se internou numa clínica de reabilitação – e voltou às piscinas. Parece ter dado certo.

Se há dúvida em relação à força dos maduros no Rio, convém prestar atenção também na delegação brasileira. O velejador Robert Scheidt, 43 anos, vai a sua sexta edição dos Jogos – ele foi medalhista em todos desde Atlanta 1996 – como forte concorrente ao pódio na classe Laser. No atletismo brasileiro, as esperanças novamente estão ancoradas em Fabiana Murer, do salto com vara, que disputa sua terceira Olimpíada. O traquejo de vencedores experientes ajudará a colar na memória coletiva a Rio 2016.

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