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Governo influenciou CBF a votar no Catar, diz jornal

Investigação da imprensa inglesa afirma que país-sede da Copa de 2022 pode ter ajudado o Brasil a pagar a conta de 2014 em troca de voto

Por Da Redação 1 dez 2014, 12h55

O voto da CBF no Catar para sede da Copa de 2022 teria sido uma decisão do governo brasileiro num acordo fechado diretamente com as autoridades do país do Golfo Pérsico. A revelação foi submetida ao Parlamento Britânico pelo jornal Sunday Times, que coletou informações com agentes de inteligência que fizeram parte da campanha da Inglaterra para tentar sediar a Copa de 2018. O jornal revela que há “rumores” de que o Catar tenha oferecido ajuda ao Brasil para cobrir todos os custos da realização da Copa de 2014 em troca de voto. A escolha das sedes ocorreu em dezembro de 2010 e, entre os dirigentes com poder de decisão, estava Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF e ex-membro do Comitê Executivo da Fifa. Oficialmente, a CBF vota sem qualquer consideração política, e o voto não é do país, mas do dirigente que ocupa o cargo na Fifa.

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As evidências foram apresentadas pelo Sunday Times ao Parlamento em uma investigação que ocorre no Poder Legislativo britânico em relação à forma pela qual as Copas de 2018 e de 2022 foram definidas. O jornal britânico afirma ter obtido acesso privilegiado a um banco de dados feito por operadores da campanha dos ingleses e que reúne detalhes de diversas fontes oficiais apontando como ocorreriam os votos e quais seriam os acordos. Os votos de Teixeira e do argentino Julio Grondona, ambos para o Catar, teriam obedecido a orientações políticas dos governos de seus países. “Foi no nível de governo a governo que eles garantiram o voto de Grondona e de Teixeira, ambos corruptos”, indicou a fonte citada no documento entregue ao Parlamento Britânico.

Naquele ano, Luiz Inácio Lula da Silva era presidente e chegou a viajar ao Catar. Há duas semanas, o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, também esteve em Doha e garantiu o apoio à organização do torneio em 2022 no Catar. Segundo uma das fontes envolvidas no processo e citadas de forma anônima nos documentos, havia antes de 2010 dois “rumores” sobre o motivo pelo qual os países sul-americanos votaram pelo Catar.

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O primeiro se referia a uma ajuda que o país árabe prestaria aos argentinos. “O governo e empresas do Catar, seja lá quem fosse, teriam fechado um entendimento para bancar as perdas da Associação de Futebol da Argentina (AFA) com um acordo de concessão de direitos e porque a economia argentina estava com problemas”, indicou a fonte. O segundo indício apresentado ao Parlamento se refere ao Brasil. “Eles (o Catar) concordaram em pagar qualquer déficit no custo dos gastos com infraestrutura no Brasil. Agora, pode não ser tão amplo assim. Pode ser que seja em apenas um aspecto particular, um estádio em específico”, indicou.

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A investigação no Reino Unido ocorre depois que a Fifa absolveu o Catar e a Rússia de ilegalidade na escolha das sedes para as Copas de 2018 e 2022. Num informe publicado há duas semanas, a Fifa admitiu que certos cartolas cometeram atos ilegais, mas nada que pudesse invalidar o processo. No domingo, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, desafiou as críticas internacionais e garantiu que “a Copa de 2022 será disputada no Catar”. A confirmação ocorreu na reunião da Confederação Asiática de Futebol, em Manila, onde Blatter pediu votos para se reeleger em 2015.

(Com Estadão Conteúdo)

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