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Golaço contra o preconceito

O protesto dos jogadores do Paris Saint-Germain e do Istanbul Basaksehir

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 10 dez 2020, 14h27 - Publicado em 11 dez 2020, 06h00

Em um ano repleto de tensões raciais, o mundo do futebol, tantas vezes tachado como alienado, deu um excelente exemplo prático — pois não bastam hashtags — de como combater o preconceito. Na terça-feira 8, os jogadores do Paris Saint-Germain e do Istanbul Basaksehir abandonaram o gramado do Parque dos Príncipes, na capital francesa, alegando que o quarto árbitro do duelo, o romeno Sebastian Coltescu, cometeu um ato racista contra Pierre Webó, ex-atacante da seleção camaronesa e atual membro da comissão técnica do clube turco, expulso por reclamação. O senegalês Demba Ba, do Istanbul, tomou a frente. “Me escute. Você nunca diz ‘este cara branco’, diz apenas ‘este cara’. Então por que, ao mencionar um preto, tem de dizer ‘este cara preto’?”, questionou Demba Ba. “Não podemos jogar. Com esse cara (Coltescu) aqui, não vamos jogar”, cravou o francês Kylian Mbappé, escoltado pelos brasileiros Neymar e Marquinhos. Após horas de indefinição, a Uefa adiou a partida, válida pela Liga dos Campeões, para o dia seguinte, com outra arbitragem. O PSG venceu por 5 a 1, com três gols de Neymar. Antes do jogo, as duas equipes se ajoelharam, no clássico gesto de protesto. De Portugal, veio a bola fora: o técnico Jorge Jesus, ex-Flamengo, agora no Benfica, minimizou a estupidez e disse que denúncias de racismo estão “na moda”. “Hoje, qualquer coisa que se diga contra um negro é sempre sinal de racismo, mas o mesmo não acontece quando se fala de um branco”, disse. O racismo, nota-se, precisa mesmo ser combatido dentro e fora de campo.

Publicado em VEJA de 16 de dezembro de 2020, edição nº 2717

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