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Gol, dribles, expulsão e choro: a noite de extremos de Gabriel Jesus

Atacante foi expulso na final depois de participar dos dois gols do Brasil e saiu furioso – apesar do cartão, foi sua redenção pela seleção brasileira

RIO DE JANEIRO – A noite deste domingo, 7, jamais sairá da cabeça de Gabriel Jesus. O atacante foi decisivo para o Brasil, com um gol e uma assistência na vitória por 3 a 1 sobre o Peru, e caminhava para a sua redenção plena como jogador da seleção brasileira. O segundo cartão amarelo, que significou a expulsão aos 24 minutos do segundo tempo – de forma rigorosa, diga-se – poderia ter estragado o bom campeonato do camisa 9, que saiu furioso de campo, socando e chutando tudo que viu pela frente, antes de ir chorar no vestiário. Para a sorte de Jesus, o Brasil ainda conseguiu marcar mais uma vez e ficou com o título da Copa América. O camisa 9 voltou ao campo correndo, aliviado e celebrou sua primeira taça pela seleção adulta.

O lance foi bastante polêmico. Gabriel Jesus subiu para disputar uma bola no alto com o zagueiro Carlos Zambrano e o árbitro Ricardo Tobar entendeu que ele deixou o braço no peruano. Ao ver o cartão vermelho, o brasileiro teve uma reação explosiva. Chutou uma garrafa ao lado do campo, depois fez sinal de que a arbitragem estaria roubando o Brasil e, no final, de um soco na cabine do VAR – ele chegou a pedir para o juiz rever o lance e não foi atendido. No corredor que dá acesso aos vestiários, foi flagrado chorando muito, indignado com a expulsão.

Apesar do cartão vermelho, a final deste domingo no Maracanã serviu para recuperar a imagem de Gabriel Jesus como um dos principais jogadores dessa geração. Com os dois gols na Copa América, o atacante é o artilheiro da “Era Tite”. Marcou 17 vezes contra 14 tentos de Neymar, o segundo colocado. Teve participação fundamental nos dois gols do Brasil na final. Primeiro, passou como quis pelo lateral peruano Miguel Trauco, e cruzou na medida para Everton Cebolinha abrir o placar. Depois do empate do rival com gol de Paolo Guerrero já no final da primeira etapa, foi decisivo mais uma vez e marcou o segundo do Brasil antes do intervalo. A vitória por 3 a 1 deu o título ao Brasil e finalmente consagrou Gabriel Jesus na seleção brasileira.

O início, porém, não foi fácil. O atacante não marcou nos quatro primeiros jogos do Brasil no torneio e chegou a nove jogos em torneios oficiais sem balançar as redes com a camisa da seleção. Na primeira fase, o time venceu a fraca Bolívia por 3 a 0, no Morumbi, e ficou no empate por 0 a 0 com a Venezuela, na Arena Fonte Nova. Nos dois jogos, ouviu vaias das arquibancadas. A volta por cima aconteceu na goleada por 5 a 0 contra o Peru na Arena Corinthians. Gabriel Jesus estava apagado. Perdeu um pênalti no final da partida contra os peruanos – defendido pelo goleiro Pedro Gallese.

Neste momento, as contestações eram muito grandes. O jogador chegou a se desentender com o comentarista Walter Casagrande, que disse que só quis passar uma mensagem de apoio. A redenção começou a partir das quartas de final contra o Paraguai. Apesar de mais uma partida de sem gols e da classificação vir só depois da disputa por pênaltis, Gabriel Jesus fez um bom jogo. Foi bem pelo lado direito do ataque, posição que ocupa desde o início da Copa América, com Roberto Firmino como centroavante. Cobrou a última penalidade, garantiu a vitória brasileira e deu indícios de que o futuro seria promissor. A grande partida contra a rival Argentina, com o seu primeiro gol na Copa América e a arrancada que resultou no gol de Roberto Firmino, fica como a grande atuação de Gabriel Jesus – apesar de Daniel Alves ter ganhado o prêmio de melhor jogador da Conmebol.