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Gavião, ex-goleiro Renê vai a Pacaembu e dá último apoio a Ralf

Renê estava impaciente no estacionamento do Pacaembu, horas antes do início da decisão da Copa Libertadores da América. Parecia mais um mero torcedor do Corinthians em meio à multidão. E era. O ex-goleiro do Grêmio Barueri e atual diretor de futebol da equipe da Grande São Paulo jamais negou ser corintiano – e até sócio da organizada Gaviões da Fiel.

Antes da partida contra o Boca Juniors, na noite desta quarta-feira, Renê chegou a trocar mensagens por telefone celular com o volante Ralf, seu amigo de infância. Ambos estavam confiantes na conquista do título continental, de acordo com o ex-goleiro, que decidiu se aposentar após cumprir um ano de suspensão imposta pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). O uso do diurético furosemida atrapalhou os planos de defender o Corinthians como jogador.

Gazeta Esportiva.Net: Renê? Está andando de um lado a outro por causa do nervosismo?

Renê: Estava tentando arrumar ingresso para uma amiga . Mas também estou nervoso, sim. Já tinha ido ver o Corinthians na Argentina, em La Bombonera, e fiquei da mesma maneira.

GE.Net: Como foi a viagem?

Renê: Foi a melhor viagem da minha vida, muito legal, emocionante. Fui com o amigo, no dia do jogo, e voltei na quinta-feira. Torcer pelo Corinthians é sempre diferente. Em um momento como o de agora, então… É o meu lado pessoal. Nunca escondi o meu jeito corintiano de ser. Tenho esses momentos de lazer associados ao Corinthians.

GE.Net: Hoje será só diversão associada ao Corinthians ou sofrimento também?

Renê: Sem sofrimento, não tem graça. Tomara que seja 1 a 0, bem sofridinho. Não importa de quem seja o gol.

GE.Net: Alguma superstição para o gol sair?

Renê: Tenho, sim. No segundo tempo, não gosto de me mexer. Assisto ao jogo sem me mover um milímetro. Isso sempre deu certo no Pacaembu. Para melhorar, o time está bem. Temos tudo para sair daqui com o título.

GE.Net: Você transmitiu esse otimismo para jogadores do Corinthians antes da partida? O Ralf foi seu companheiro de Grêmio Barueri.

Renê: Sempre converso com eles. Fiz muitos amigos no futebol. Fui eu quem trouxe o Ralf para o Barueri. Os dirigentes me ligaram para pedir informação sobre ele, e falei que poderiam contratar de olhos fechados. O Ralf é meu amigo de infância, da Zona Sul. Sou de Interlagos. Ele, de São José. Crescemos juntos. Acabamos de trocar algumas mensagens por telefone.

GE.Net: O que ele te escreveu?

Renê: Que valeria a pena todo o nosso esforço, que estamos no caminho certo. Confiança total.

GE.Net: Quem está mais ansioso para a final: o Ralf ou você?

Renê: Eu. Com certeza. Quando você não está jogando, fica de mãos atadas. É muito difícil. E sou muito corintiano. Agradeço ao meu pai por isso. Infelizmente, meu irmão preferiu seguir outro caminho e virou são-paulino.

GE.Net: Mas você sempre se destacou quando enfrentou o Corinthians como goleiro.

Renê: Nunca joguei mal contra o Corinthians. Sabe por quê? Sempre me preparei muito mais para essas partidas, para ver se chamava a atenção e era chamado para defender o Corinthians. Queria ter vestido essa camisa. Não deu certo, mas vou fazer o quê? Já sou muito feliz de ser torcedor.

GE.Net: Você é diretor de futebol do Barueri agora. Será que ainda não consegue realizar o sonho de defender o Corinthians, mas como dirigente?

Renê: Claro que sim. Não nasci goleiro nem dirigente. Nasci torcedor do Corinthians. Sempre fui profissional. Agora, sou um dirigente que tem um time de coração. Quero fazer um trabalho digno no Barueri primeiro. Depois, vou tentar abrir as portas de outras equipes. Se forem as do Corinthians… Nunca neguei ser torcedor. Antes de jogar contra o Corinthians, já dizia para todo mundo que era corintiano. As pessoas achavam que eu entregaria. Mas, não. Sempre baguncei para caramba contra o Corinthians. Meus amigos queriam me matar por eu fechar o gol. Os da Gaviões, então… Eu ia aos ensaios da torcida e ouvia um monte.

GE.Net: E o Cássio? Também tem fechado o gol?

Renê: Ele é um ótimo goleiro. Saiu cedo do País e pegou uma segurança muito boa no exterior. Estive com ele há algum tempo e falei que a hora dele tinha chegado. Um título da Libertadores, com a força que o Corinthians tem, pode levá-lo à Seleção Brasileira. Chegou a hora dos caras. Todo mundo só fala nesta final.

GE.Net: Já planejou o que fará após a decisão?

Renê: Vou para minha casa, feliz. Trabalho amanhã cedo. Só não sei se vou conseguir dormir.