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Galvão Bueno: ‘Sou uma das pessoas mais queridas e mais odiadas do país’

Narrador esportivo lançou livro de memórias em São Paulo e falou sobre fama e carreira

Por Luiz Felipe Castro 8 abr 2015, 14h22

Galvão Bueno chegou ao Conjunto Nacional, em São Paulo, antes do horário combinado e cumprimentou todas as pessoas que passaram a sua frente com um sorriso e um aperto de mão. Quem o via pela primeira vez parecia se surpreender com a simpatia do mais controverso narrador esportivo do Brasil, que nesta terça-feira lançou o seu livro de memórias Fala, Galvão! (Editora Globo, 312 páginas, 39,90 reais), escrito em parceria com o jornalista Ingo Ostrovsky. Quem o conhece na intimidade afirma que o entusiasmo na noite do lançamento é uma regra nos 64 anos da vida de Galvão, que há muito deixou de ser um narrador para se tornar uma celebridade. A obra, que comemora seus 41 anos no jornalismo esportivo, atraiu fãs, curiosos, ídolos dos campos e das quadras e colegas de trabalho à livraria. Em nome do livro – uma resposta à campanha “Cala a Boca, Galvão”, que ganhou o mundo na Copa de 2010 -, o narrador não parou de falar nem um segundo durante a noite. Sabe que divide opiniões: “Tenho certeza que muita gente vai falar bem e muita gente vai falar mal do livro. É normal, bater no Galvão é divertido.”

Os organizadores do lançamento queriam que Galvão desse entrevista coletiva por 40 minutos, mas gastou quase 90% do tempo falando sobre a concepção da obra, que levou dois anos e meio para ser concluída. A entrevista ainda foi interrompida com a chegada de dois amigos: o publicitário Washington Olivetto e o piloto Rubens Barrichello. “Chegou atrasado, Rubinho”, brincou um fotógrafo. Galvão, então, pegou carona na provocação. “Se eu fosse sacana, diria que você nunca teve pressa…” Em seguida, Galvão falou sobre a fama que conquistou. “Sei que sou uma das pessoas mais queridas e mais odiadas do país, mas nunca trabalhei para isso. Eu era um vendedor de embalagens plásticas e acabei virando um vendedor de emoções. Sou um jornalista sim, prezo acima de tudo pela verdade dos fatos e pela seriedade. E também sou um equilibrista, porque ando no fio da navalha entre a verdade e as emoções. Mas eu acho que o número de pessoas que gostam de mim é bem maior, e essa é a minha grande vitória profissional.”

Galvão Bueno fala a VEJA: ‘Sou um vendedor de emoções.’

Muitos amigos foram ao lançamento, entre os colegas de emissora: Tiago Leifert, Caio Ribeiro, Casagrande, Reginaldo Leme e Mauro Naves contaram histórias sobre o narrador. Companheiro de transmissões há mais de dez anos, o repórter Mauro Naves confirmou que Galvão é “mão aberta”. Segundo ele, Galvão gasta boa parte de sua fortuna – no ano passado, o jornal O Dia revelou que seus ganhos chegavam a 5 milhões de reais mensais só em salário da Globo – pagando jantares para os amigos. “Essa generosidade é marca dele. Eu digo que, no exterior, sempre gosto de pagar minhas contas no cartão – no cartão do Galvão.” O narrador tem paixão por vinhos e se tornou empresário do ramo em 2006. Dois anos depois, se mudou para o principado de Mônaco, e voltou a viver, no ano passado, em Londrina com a família. A mãe, Mildred dos Santos, a mulher, Desirée Soares, e o neto Nicolas estiveram todo o tempo ao seu lado no lançamento. “Sou fã incondicional, não perco uma transmissão”, contou Mildred, de 86 anos, que foi atriz de telenovela na década de 60 e de quem Galvão diz ter herdado o dom para as câmeras.

“Os três momentos de maior emoção foram o primeiro título do Ayrton Senna, em 1988, no Japão; aquela maluquice do ‘é tetra, é tetra, é tetra’, em 1994; e a transmissão que tecnicamente mais me agrada, a medalha de prata no revezamento 4x100m nos Jogos de Sydney, em 2000. E, evidentemente, a que mais me machucou e que eu jamais gostaria de ter feito, foi o acidente e a morte do Ayrton Senna”, contou, em um dos poucos momentos em que baixou o tom de voz.

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Parceiros – Não foram vistos na livraria o comentarista e ex-árbitro Arnaldo Cezar Coelho e Pelé. Galvão, inclusive, negou rumores de que teria se desentendido com Pelé na época em que trabalharam juntos. “O Pelé é um grande amigo, um grande parceiro, mas sempre foi mão de vaca, nunca pagou um jantar. Aí, na Copa de 1990, avisamos que ele teria de pagar uma conta. Fomos a um famoso restaurante de Roma e escolhemos os melhores vinhos, mas o Pelé estava supertranquilo, parecia não se importar. Quando todo mundo acabou, o dono do restaurante veio até a mesa. O Pelé tirou uma dúzia de fotos com ele, levantou e disse: ‘Paguei, entende?'”

Galvão Bueno dedica mais de vinte páginas à sua relação com Pelé, que, segundo ele, foi fundamental para sua entrada no jornalismo esportivo. Logo no início do livro, o carioca assume ser flamenguista, mas diz que nutriu grande simpatia pelo Santos na adolescência, quando viveu em São Paulo. Contou que a primeira vez que viu Pelé foi em 1964, quando faltou a uma aula de matemática no colégio Rio Branco para ir ao Pacaembu. E que Pelé serviu como referência de celebridade: “Ele me ensinou muita coisa nesse trato com o público. Eu já vi Pelé ser abordado umas 40.000 vezes e nunca disse não.”

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