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Futuro do velódromo do Rio de Janeiro ainda é incerto

Estrutura está fora dos padrões olímpicos e sua demolição foi cogitada para a construção de um novo. Agora, prefeitura e Comitê Olímpico reavaliam o caso

Por Pollyane Lima e Silva, do Rio de Janeiro - 17 jul 2012, 17h01

Logo depois de anunciar a possibilidade de demolição do velódromo do Rio de Janeiro – que foi construído para os Jogos Pan-americanos de 2007, mas está fora dos padrões olímpicos – a prefeitura e o Comitê Rio 2016 deram um passo atrás e decidiram reavaliar a situação. Isso significa que, pelo menos por enquanto, a estrutura que custou 14 milhões de reais, não será colocada abaixo.

A novela já dura quatro dias. Na sexta-feira, foi confirmada a necessidade de destruição do complexo na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade. No domingo, o prefeito Eduardo Paes manifestou-se contra a ideia: “As autoridades esportivas, a Federação de Ciclismo, podem vir aqui e olhar com calma o projeto. A gente faz as adaptações que forem necessárias, mas derrubar, não dá”. Na segunda-feira, foi o diretor do Comitê Rio 2016, Leonardo Gryner, quem decidiu recuar, dizendo que será levado em consideração “as necessidades da cidade e dos jogos”.

Quando o velódromo foi erguido, há seis anos, os jogos de 2016 ainda eram um sonho. Mas já se sabia que, caso a cidade fosse confirmada como sede da Olimpíada, a construção não estaria de acordo com as exigências do evento. O dossiê da candidatura da cidade, entregue ao Comitê Olímpico Internacional (COI) em 2009, citava inclusive a necessidade de “uma grande reforma” do complexo, cujo preço previsto era de cerca de 70 milhões de reais.

As principais mudanças seriam o aumento da arquibancada (de 1.500 para 5.000 cadeiras) e do número de vestiários, alterações na inclinação e curvatura da pista e a retirada das pilastras centrais para que os juízes tenham uma visão completa das provas. “A reforma, que tem que ser feita, e que requer muitas modificações no projeto atual do velódromo, pode ser que custe mais caro do que fazer outro”, considerou Gryner, completando que é necessário fazer contas antes de determinar a melhor solução.

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Ciclistas – Para o presidente da Federação de Ciclismo do Estado do Rio de Janeiro, Claudio Santos, a necessidade de se construir um velódromo de acordo com os padrões olímpicos não deveria implicar na derrubada da estrutura atual que, segundo ele, tornou-se hoje uma arena multiuso, que serve também para o treinamento de equipes de patinação e ginástica artística, além dos atletas de ciclismo (que integram a seleção brasileira) e da escolinha que trabalha com mais de 60 alunos da rede municipal de ensino.

“A estrutura é utilizada de forma intensa todos os dias. É o único lugar que essas equipes têm para treinar. Como vamos fazer com as crianças que sonham em competir numa Olimpíada no futuro? Vamos dizer para elas treinarem no Maracanã?”, questiona Santos, que considera “um absurdo completo” a hipótese de que o novo velódromo – se houver – seja construído em outro estado. “São Paulo e Paraná têm dois velódromos. Por que o Rio não pode ter também?”

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