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Futebol, beisebol e tênis se unem à NBA em protesto antirracista nos EUA

Torneio de Cincinnati foi paralisado nesta quinta-feira após Naomi Osaka anunciar que não jogaria semifinal. Boicotes ganham força no país

Por Da Redação - Atualizado em 27 ago 2020, 11h35 - Publicado em 27 ago 2020, 11h16

O esporte americano está paralisado em protesto contra o racismo e a violência policial contra negros. Horas depois de times NBA, liderados pelos dos jogadores do Milwaukee Bucks, anunciarem um boicote aos jogos dos playoffs, as ligas de beisebol e futebol e uma importante tenista também pararam suas atividades nesta quinta-feira, 27. Os protestos foram motivados pelo caso do americano Jacob Blake, um homem negro de 29 anos, que recebeu sete tiros de policiais na frente de seus filhos no último domingo, na cidade de Kenosha, no estado de Wisconsin. Ele sobreviveu, mas está com paralisia.

No início da noite de quarta-feira 26, a diretoria da equipe de Milwaukee, cidade próxima de Kenosha, emitiu uma nota oficial sobre a decisão de não entrar em quadra diante do Orlando Magic. As outras equipes da liga seguiram o mesmo caminho. “Nós apoiamos completamente a decisão dos nossos atletas. Embora não soubéssemos de antemão, teríamos concordado com eles mesmo assim. A única maneira de conseguir mudanças é colocar luz às injustiças raciais que estão acontecendo diante de nós. Nossos jogadores fizeram isso e estaremos ao lado deles para exigir responsabilidade e mudança”.

Horas depois, equipes da WNBA, liga feminina de basquete, da Major League Soccer, principal liga de futebol, e da Major League Baseball, maior campeonato de beisebol, também anunciaram o adiamento de seus jogos em apoio aos protestos antirracistas. A tenista japonesa Naomi Osaka, número 10 do mundo, também foi responsável por paralisar o torneio de Cincinnnati.

Diante dos últimos acontecimentos, Naomi se recusou a entrar em quadra na semifinal contra Elise Mertens. “Olá. Como muitos sabem, eu deveria jogar minha partida de semifinal amanhã. Porém, antes de ser atleta, eu sou uma mulher negra. E como uma mulher negra, sinto que há coisas mais importantes nesse momento que requerem imediata atenção, mais do que me assistirem jogar tênis”, escreveu a jogadora em suas redes sociais.

“Eu não espero que nada drástico aconteça com o fato de eu não jogar, mas se eu conseguir iniciar um debate em um esporte majoritariamente branco, considero um passo na direção correta. Ver o consecutivo genocídio de pessoas negras nas mãos da polícia está honestamente me deixando enojada, até o estômago. Eu estou exausta de uma nova hashtag (sobre isso) bombar a cada período de alguns dias e estou extremamente cansada de ter essa mesma conversa de novo, e de novo, e de novo. Quando será que basta?”, completou.

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A organização do evento apoiou a decisão de Osaka e anunciou que os jogos restantes acontecerão a partir de sexta-feir, 28. O torneio de Cincinnati de 2020 está sendo disputado excepcionalmente em Nova Iorque, na mesma sede do US Open, como medida de segurança contra a pandemia de Covid-19.

 

Nos Estados Unidos, o movimento dos atletas é tratado como um marco histórico. Desde a retomada das atividades, na esteira das manifestações em todo o país pela morte de George Floyd, no fim de maio, jogadores e equipes de diversos esportes, especialmente do basquete, protestam de diversas formas, ajoelhando, escrevendo mensagens do movimento Black Lives Matter nos calçados e uniformes e usando as redes sociais.

Atletas de Denver Nuggets e Utah Jazz se ajoelham durante hino nacional americano Mike Ehrmann/Getty Images
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