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Funcionária demitida do Rio 2016 nega roubo de dados

Renata Santiago divulgou carta afirmando que não se aproprioude informações confidenciais ou comerciais, mas admite que outros desligados podem ter copiado arquivos indevidamente

Enquanto autoridades brasileiras e inglesas se esforçam para amenizar a crise, uma das dez pessoas demitidas pelo Comitê Rio 2016 por furto de arquivos do Comitê Londres 2012 (Locog) questionou nesta terça-feira o teor da carta que foi obrigada a assinar para se desligar da entidade brasileira. Renata Santiago, que chegou a trabalhar na cerimônia de abertura dos Jogos, revelou ter sido acusada, na carta de demissão, de “violação de informações confidenciais e comerciais”.

“Hora nenhuma me apropriei de informações confidenciais ou comerciais”, disse, em carta endereçada ao presidente do Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman. Nesta terça, a carta foi divulgada.

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“Todas as informações (arquivos eletrônicos, documentos impressos, fotos) reunidas e trazidas ao Rio 2016 por mim, ratifico, não eram confidenciais e muito menos comerciais e foram fruto de um trabalho árduo visando uma melhor organização para os nossos Jogos, sem nenhuma pretensão diferente desta”, disse.

Em Londres, Renata trabalhou na cerimônia de abertura e na Vila Olímpica, no Centro de Serviços aos Comitês Olímpicos Nacionais. Com Nuzman, foram 12 anos de trabalho. “Não consigo realizar que o senhor tenha acreditado que eu fosse ou seja capaz de cometer atos fraudulentos e criminosos, já que sempre demonstrei-lhe minha honestidade e fidelidade e às instituições das quais o senhor é ou foi presidente”, disse Renata, que trabalhou no Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e na preparação para o Pan de 2007. “Não foram apenas 12 dias, foram 12 anos”, disse.

Renata contou ter sido instruída, nas primeiras semanas, a acessar o sistema do Locog. Na segunda-feira, o Comitê havia informado que os dez funcionários demitidos “agiram por iniciativa própria, sem o conhecimento de seus chefes imediatos e de nenhuma outra liderança do Rio 2016”.

Embora se isente de culpa, a ex-funcionária do Rio 2016 afirmou que outros demitidos “realmente podem” ter se “apropriado de muitas informações confidenciais e/ou comerciais de suas áreas e de outras”.

À Agência Estado, um funcionário do Rio 2016 confirmou nesta terça-feiora que os observadores haviam assinado contrato que os proibia de copiar arquivos sem autorização. “Não sei como esse pessoal ficou surpreso de ter sido mandado embora”, disse. “Ainda bem que, quando foi descoberto, eles já estavam aqui. Se fosse lá (em Londres), poderiam até ter sido presos”, afirmou o funcionário, que pediu para não ser identificado.

Citado no site do Comitê como “responsável pelo programa de Observadores do Rio 2016 nos Jogos de Londres”, o analista José Arthur Peixoto negou nesta terça que tenha chefiado o grupo de 200 funcionários. A assessoria de imprensa do Rio 2016 também negou a informação divulgada por sua própria página da internet, alegando que o cargo de Peixoto era apenas operacional.

(Com Agência Estado)

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