França no ataque: com Zidane como novo técnico, seleção terá mudança de filosofia no campo
Ex-camisa dez dos Bleus vai investir também em análise de dados e na contratação de mulheres para compor a equipe
Após 14 anos de um futebol marcado pelo pragmatismo competitivo sob o comando de Didier Deschamps, a seleção francesa inicia uma nova era liderada por sua maior lenda: Zinédine Zidane. Assumindo a equipe com um contrato de quatro anos visando a Copa do Mundo de 2030, o novo treinador sucede o antigo companheiro de glórias do título mundial de 1998. A transição ocorre duas semanas após a eliminação da França no quarto lugar do Mundial de 2026, encerrando um ciclo histórico de Deschamps. Para Zidane, que aguardava a oportunidade há cinco anos e recusou diversas propostas de clubes de ponta, dirigir os Bleus era o seu maior e único desejo após deixar o Real Madrid.
Ao contrário de treinadores que herdam equipes em crise, Zidane encontra um elenco estrelado e no auge técnico, uma verdadeira “geração de ouro”. O novo comandante terá o privilégio de guiar talentos consolidados e promessas excepcionais. Nomes de peso e desequilíbrio ofensivo como Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé, Michael Olise e Désiré Doué formam um arsenal de luxo, em um grupo moldado para continuar no topo do futebol mundial nas próximas competições.
A chegada do ex-camisa 10, no entanto, não se limita às quatro linhas, prometendo revolucionar os bastidores da federação. Zidane exigiu investimentos significativos para ampliar o staff da seleção, implementando um setor inteiramente dedicado a dados e análises avançadas, conhecido como cellule data. Além do forte foco em tecnologia, a nova era será marcada por uma importante mudança cultural: a forte presença feminina em funções especializadas, atuando ativamente nas áreas de análise, preparação física e psicologia, algo que não era prioridade no comando anterior.
Dentro de campo, a filosofia também sofrerá uma guinada. Contrastando com a forte organização defensiva de seu antecessor, Zidane promete uma seleção focada no espetáculo e no ataque. Durante sua apresentação, o ex-craque foi direto sobre suas intenções: “Fui um camisa 10, e o que me motiva é marcar gols”. Com o objetivo de dominar os adversários, ele pretende usar sua experiência de liderança em campo para transformar a equipe em uma força ofensiva e envolvente.
A missão de treinar a própria nação, sendo o maior ídolo do país, traz uma pressão incomum. O objetivo é claro: conduzir a França ao título da Copa de 2030. O termômetro inicial dessa fase começará em 25 de setembro, quando Zidane fará sua estreia oficial fora de casa contra a Turquia, pela Liga das Nações. Em seguida, os franceses enfrentam a Bélgica e, em 2 de outubro, o treinador terá seu primeiro encontro com a torcida no Stade de France, em um clássico contra a Itália.







