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Forças Armadas aumentam apoio a atletas de programa de alto rendimento

Em 2019, governo federal reduziu o número de beneficiados do Bolsa Atleta, mas Ministério da Defesa vai investir R$ 10 milhões no PAAR

Em 2019, o Ministério da Defesa vai investir 10 milhões de reais no Programa de Atletas de Alto Rendimento (PAAR), desenvolvido em parceria com o Ministério do Esporte, hoje transformado em secretaria especial. O valor significa um aumento de 25% em relação ao ano passado, quando foram destinados 8 milhões de reais para a preparação, treinamento e participação dos atletas de elite em disputas nacionais e internacionais. O aumento representa uma exceção no cenário nacional, marcado pela retração dos investimentos nas esferas pública e privada.

Hoje, a judoca Jéssica Pereira não tem patrocinadores. Ela recebe uma bolsa do Instituto Reação, clube onde treina no Rio, o benefício da Bolsa Atleta na categoria pódio e os vencimentos como terceiro sargento do Exército desde 2016. Além disso, usa a estrutura do Exército, como médico, nutricionista e sala de musculação. “O PAAR está sendo importante para a sobrevivência de muitos atletas”, opina o nadador Leonardo de Deus, também terceiro sargento do Exército.

Na esfera pública, o governo federal reduziu em 47,5% o número de beneficiados do Bolsa Atleta e anunciou o fim das categorias “atleta estudantil” e “atleta de base” em decisão anunciada no fim da gestão Michel Temer (MDB). O orçamento do programa caiu de 79,3 milhões de reais para 53,6 milhões de reais. Os atletas que recebem a bolsa caíram de 5.866 para 3.058.

Na esfera privada, os competidores reclamam das dificuldades para renovar patrocínio. “Mesmo sendo medalhista, está sendo difícil a busca por patrocinadores. Fico imaginando para os atletas que estão começando”, diz a velejadora Kahena Kunze, campeã olímpica nos Jogos do Rio ao lado de Martine Grael e atleta da Marinha.

Uma das razões do investimento do Ministério da Defesa é o bom desempenho dos atletas militares. Na Olimpíada do Rio, eles conquistaram 13 das 19 medalhas do Brasil – 68% dos pódios nos Jogos.

Outro motivo é o calendário. Em outubro, serão realizados na China os Jogos Mundiais Militares. A delegação brasileira quer se manter entre as três maiores potências desportivas militares do mundo. Em 2015, o Brasil ficou em segundo na Coreia do Sul; em 2011, no Rio, liderou. São quase 400 atletas do País. “Os Jogos Militares são uma etapa intermediária de preparação para os Jogos de Tóquio. A meta principal é preparar equipes e atletas para as seletivas olímpicas”, explica o general Jorge Antonio Smicelato, diretor do Departamento de Desporto Militar do Ministério da Defesa.

A rotina dos atletas do PAAR é diferente do dia a dia dos militares de carreira. Ana Marcela Cunha, terceiro sargento da Marinha, conta que ela se apresenta três ou quatro vezes ao ano nas instalações militares para reciclagem. O restante do trabalho é feito no clube onde treina, no caso a Universidade Santa Cecília (Unisanta), em Santos. “O Exército permite o treino nos clubes, mas temos uma reciclagem obrigatória anual”, explica o judoca David Moura.

Para ser um atleta do PAAR, é preciso ser da elite do esporte. O programa considera os resultados em competições nacionais e internacionais e as medalhas se transformam em pontuações. A inscrição é voluntária para as 42 modalidades olímpicas. Terceiro-sargento da Aeronáutica, o ginasta Arthur Nory diz que foi convidado em 2016 para integrar o programa, que estava iniciando na modalidade. “Hoje temos uma equipe completa de ginástica.”