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Filho de vice-presidente da Fifa admite ter vendido ingressos da Copa

Entidade não comenta o caso, mas garante que os bilhetes recolhidos com quadrilha internacional de cambistas serão colocados à venda no site

O filho do vice-presidente da Fifa, Humberto Mario Grondona, admitiu nesta sexta-feira ter vendido parte dos ingressos a que teria direito na Copa do Mundo no Brasil. A declaração foi dada depois que ingressos em nome dele foram recolhidos com cambistas no Rio de Janeiro – em operação realizada pela Polícia Civil que desarticulou uma quadrilha internacional que faturava mais de 200 milhões de reais por Mundial. O pai de Humberto é o argentino Julio Grondona, também responsável pelo departamento de Finanças da entidade.

“Sou instrutor da Fifa e tenho quatro entradas para o primeiro jogo, quatro para o segundo, quatro para o terceiro, quatro para as oitavas, quatro para as quartas, duas para a semifinal, duas para a final e comprei todas por mais de 9.000 dólares. Tenho um amigo, muito conhecido na Argentina, que queria vir e vendi a ele alguns ingressos. Ele, por sua vez, deu ingressos a outro amigo. Agora, o que fizeram com as entradas eu não sei”, disse Humberto, ao canal por assinatura TyC Sports, de seu país. Ele se recusou a dizer o nome do amigo e afirmou ter agido na “boa fé”.

A porta-voz da Fifa, Delia Fischer, se recusou a falar sobre o possível envolvimento de Humberto, mas garantiu que a entidade vai cobrar punição rígida a qualquer um que tenha alimentado a quadrilha de cambistas. “Não posso comentar investigação em andamento. A Fifa é muito firme. Se alguém violou alguma regra, será punido, mas não podemos tirar conclusões precipitadas”, disse. Delia também garantiu que todos os ingressos apreendidos com os criminosos serão colocados à venda para torcedores no site oficial: http://www.fifa.com/ingresso.

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Rio de Janeiro – Dois representantes da Match, única empresa autorizada pela Fifa para a venda de pacotes de ingressos e camarotes da Copa do Mundo, estiveram na manhã desta sexta na 18ª DP, na Praça da Bandeira, que investiga o esquema de venda ilegais de entradas do Mundial. Os dois, um indiano e uma advogada brasileira, fotografaram um por um os cerca de 130 ingressos (muitos de camarote) apreendidos pela polícia civil do Rio na Operação Jules Rimet, que prendeu 11 pessoas na terça-feira, como o franco-argelino Lamine Fofana, que tinha trânsito livre pela Fifa e era amigo de jogadores e ex-jogadores.

Segundo um inspetor responsável pela investigação, os representantes da Match informaram aos policiais que vão averiguar a autenticidade das entradas e também rastreá-las, para descobrir quem seriam os responsáveis por repassá-las à quadrilha. Nesta quinta, a polícia informou que a Match também está sendo investigada e, além do integrante da Fifa que seria o líder do milionário esquema criminoso, há também alguém da empresa responsável pela venda dos ingressos e camarotes. A Match é ligada ao sobrinho do presidente da Fifa, Phillip Blatter.

O delegado responsável pela investigação, Fábio Barucke, havia convocado entrevista coletiva para as 11h desta sexta-feira, mas, às 11h30, informou que não poderia comparecer porque, em menos de 24 horas, foi convocado pela segunda vez para uma reunião no Palácio Guanabara, sede do governo do Rio. Ainda não se sabe o motivo da reunião. Os onze presos na operação, segundo a polícia, tiveram os pedidos de prisão temporária renovados pela Justiça.

Maracanã – Na fiscalização que já se tornou comum no entorno do Maracanã em dias de jogos no estádio, a Polícia Militar prendeu nesta sexta 39 pessoas que estavam negociando compra e venda de ingressos ilegalmente. O valor cobrado para a partida entre Alemanha e França, variava entre 500 e 1.000 dólares. Agentes à paisana da Coordenadoria de Inteligência – muitos vestidos como torcedores – começaram a operação de combate ao cambismo às 8h. Os suspeitos detidos são encaminhados à delegacia, autuados e liberados após prestar depoimento.

(Com Estadão Conteúdo e reportagem de Pâmela Oliveira)