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Fifa tenta superar crise com pedidos de desculpas, mas reafirma apoio a Infantino

Entidade reconheceu 'erros' após o vazamento de proposta de abrir a instituição ao investimento privado

Por Redação 5 ago 2026, 21h12
Fifa tenta superar crise com pedidos de desculpas, mas reafirma apoio a Infantino Priorizar nos meus resultados Google

A Fifa fez um ‘mea culpa’ nesta quarta-feira, 5, mas reafirmou seu “apoio total” a Gianni Infantino após uma reunião de emergência no Marrocos para tratar da crise desencadeada pelas críticas ao projeto, que acabou sendo abandonado, de abrir a instituição ao investimento privado.

Em um comunicado extenso publicado por volta das 19h (horário de Brasília), a direção da Fifa reconheceu “que foram cometidos erros após o vazamento da proposta para a imprensa”.

“Foram apresentadas desculpas por esses erros, juntamente com o compromisso de garantir que não voltem a ocorrer”, acrescentou.

A entidade informou que os membros de seu Conselho Diretivo presentes na reunião reafirmaram seu “apoio total” a Infantino, reconhecendo-o como o único responsável eleito pelas 211 associações-membro da Fifa.

O documento foi publicado horas depois da reunião dos principais dirigentes da Fifa, realizada na sede da organização para a África, no complexo Mohammed VI, em Salé, perto de Rabat.

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“Não está mais na mesa”

À frente da Fifa há uma década, Infantino impulsionou projetos de grande alcance e, na semana passada, anunciou a criação de uma sociedade externa, a FIFA Forward Enterprise (FFE), que ficaria encarregada de gerir as atividades comerciais da entidade e torneios como a Copa do Mundo, com a participação de investidores privados.

Apresentado de surpresa em 28 de julho, após a imprensa revelar sua existência, o projeto foi retirado no final da semana passada diante da oposição de diversos atores do futebol, incluindo a Uefa, a confederação europeia.

No entanto, as críticas não pararam, e a Fifa buscou, nesta quarta-feira, reduzir a tensão ao reconhecer falhas na condução do projeto sob a liderança de Infantino.

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“Não foi nossa intenção que o Conselho ou as associações-membro se sentissem excluídos do processo, que deveria ter sido conduzido de outra maneira”, afirmou a entidade.

“A proposta da FFE, que estaria sujeita à aprovação das associações-membro da Fifa e do Conselho da Fifa, já não está mais na mesa”, reiterou.

Mal-estar interno

Vários altos dirigentes da Fifa haviam se distanciado de Infantino nos últimos dias, entre eles Arsène Wenger, atual diretor de desenvolvimento do futebol mundial na entidade, e o secretário-geral, Mattias Grafström.

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Este último, em carta dirigida aos funcionários da Fifa à qual a AFP teve acesso, lamentou “uma série de acontecimentos tristes e condenáveis” que, “felizmente, levaram ao abandono permanente” do projeto.

O principal assessor de Infantino, Carlos Cordeiro, já havia pedido demissão na sexta-feira, afirmando que se opunha “categoricamente” ao projeto do chefe da Fifa.

Pressões externas

Fora do mundo do futebol, nesta quarta-feira, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, se juntou ao seu par britânico, Andy Burnham, para criticar duramente o presidente da Fifa.

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“Sem dúvida, já não tenho confiança no senhor Infantino a partir deste momento, dado o que aconteceu”, afirmou Carney, cujo país foi um dos anfitriões, juntamente com os Estados Unidos e o México, da Copa do Mundo de 2026.

Carney apontou que o fato de Infantino supostamente não ter consultado a equipe diretiva da Fifa sobre o plano “deveria ser fatal” para o seu mandato.

Na sexta-feira, Burnham opinou que Infantino era “a pessoa errada para dirigir” o órgão máximo do futebol mundial.

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Essas vozes se somam às da Uefa, mas também às da Concacaf (Confederação da América do Norte, Central e Caribe), que, após ter feito o projeto da FFE naufragar, criticou diretamente Infantino.

Em uma carta enviada na sexta-feira à Fifa e consultada pela AFP, a Uefa “notifica oficialmente que está considerando ativamente tomar medidas legais”.

“Sejamos claros: a Fifa não pode mais ter autorização para tomar decisões de maneira unilateral”, denunciou, por sua vez, nesta quarta-feira, em um comunicado, a Associação de Ligas Europeias, criticando também o projeto de Infantino de ampliar a Copa do Mundo para 64 seleções a partir de 2030.

“Infantino deve sair”

Por enquanto, Infantino é o único candidato declarado à reeleição para o comando da Fifa, em uma votação que será realizada em março de 2027, em Rabat.

O ítalo-suíço de 56 anos precisa da maioria das 211 federações-membro para conquistar um novo e último mandato de quatro anos.

Até o momento, algumas federações (Finlândia, País de Gales, Sérvia e Suécia), todas europeias, retiraram oficialmente o apoio a ele.

“Infantino deve sair”, afirmou nesta quarta-feira o ex-craque português Luís Figo em uma coluna de opinião no jornal britânico Daily Mail, na qual o descreve como um “vestígio do passado que não deve fazer parte do futuro”.

O príncipe Ali bin Al-Hussein, presidente da Federação Jordaniana de Futebol, acusou Infantino de “chantagem” na terça-feira.

(AFP)

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