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Fifa recua e encaminha caso de corrupção à Justiça

Após críticas de procurador, entidade decidiu prestar queixa contra suspeitas de suborno nas escolhas de Rússia e Catar como sedes da Copa do Mundo

Por Da Redação 18 nov 2014, 15h49

Depois de alegar que não havia corrupção comprovada na escolha das sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022, a Fifa recuou nesta terça-feira ao prestar queixa por “suspeitas de transferência internacional de patrimônio, tendo a Suíça como ponto de contato”. A ação foi levada ao Ministério Público suíço em Berna, com base no relatório realizado pelo ex-procurador americano Michael Garcia, que denuncia a participação de diversos dirigentes da entidade na atribuição dos Mundiais da Rússia e do Catar. Na última quinta-feira, a Fifa aliviou o alcance das denúncias do relatório, mas poucas horas depois o próprio Garcia mostrou-se indignado, alegando que a entidade tinha interpretado o documento de forma “incompleta e equivocada”.

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A Fifa resolveu levar o caso à Justiça por entender que não tinha condições de fazer as investigações internamente. “Ao contrário dos órgãos da Fifa, os órgãos jurídicos do Estado têm a possibilidade de fazer investimentos com a ajuda de medidas coercitivas, de ordem penal”, justificou a entidade num comunicado nesta tarde. “Na nossa análise do relatório de Garcia, identificamos elementos que podem ser considerados motivos de suspeita de conduta repreensível em relação à Suíça”, explicou Hans-Joachim Eckert, presidente da Câmara de Julgamento da Comissão de Ética da Fifa. “Nestas circunstâncias, era meu dever chamar a atenção do presidente da Fifa Joseph Blatter sobre este assunto e sugerir para que ele avise as autoridades judiciais suíças”, completou Eckert.

Blatter, por sua vez, revelou que prestou queixa penal depois de tomar conhecimento da situação. “Não tenho a capacidade de julgar qualquer procedimento ilícito. O relatório não era direcionado a mim e não cheguei a lê-lo. Porém, seguindo as orientações do juiz Eckert, era meu dever, como presidente da Fifa, prestar queixa”, enfatizou o dirigente máximo do futebol mundial. Ex-procurador federal em Nova York, Michael Garcia fez a investigação a pedido da Fifa e entregou o relatório em setembro. O documento nunca foi publicado, apesar dos pedidos do próprio Garcia, que estranhou a falta de transparência da Fifa no dia 24 de setembro. Para justificar o fato,Blatter alegou que a publicação na íntegra poderia comprometer a confidencialidade de testemunhas.

(Com agência France-Presse)

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